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Respostas_ltda11월 19일 OUÇA ESSASEspanha
De quebra ainda achei um link com as seguintes sonzeiras:(TAMBÉM EM MP3)
. Live Wire – Motley Crue – Too Fast For Love – Leathur Records – 1981 11월 3일 humor
citação 2
citação
10월 27일 e-books
dicas 4
http://www.cifras.com.br/dicionario/ dicas 3Teoria Musical - Acordes e Cifras
O som é produzido por objetos em vibração como, por exemplo as hastes de um diapasão, o diafragma de um alto-falante ou ainda uma corda esticada e depois dedilhada. Ela vibra e produz um som. Mas nem sempre o que nós ouvimos pode ser considerado um som, ele pode ser assim dividido:
A percepção que nossos ouvidos têm desse som depende do número de vibrações por segundo. Para melhor demonstrar isso, tomaremos um violão! A nota é diferenciada pelo número de vibrações da corda. A esse número de vibrações damos o nome de freqüência ou tom. A escala musical correspondente, na realidade, a um conjunto de freqüências que identificam as diversas notas musicais. Concluindo, todo e qualquer barulho é uma nota, e sua classificação dependerá do número de vibrações. Vamos considerar, como ponto de partida, a nota produzida por uma corda que vibre 256 vezes por segundo e chamá-la de dó. A experiência mostra que se cortarmos a corda ao meio ela passará a vibrar duas vezes mais depressa e a nota produzida também será um dó, porém com a freqüência de 512 vibrações por segundo, ou seja uma oitava mais alta. O intervalo entre dois dós consecutivos contém as outras notas musicais. A esse conjunto de notas de dó a dó chama-se escala musical. Assim, é fácil perceber que temos várias escalas musicais que se diferenciam por tons mais graves e agudos. Sabe-se que o ouvido humano é sensível a sons emitidos com a freqüência entre 16 e 20.000 vibrações por segundo. A tabela abaixo mostra o número de freqüências de notas musicais audíveis nesse intervalo. É interessante notar que:
Qualidades do som
Música = Arte científica de combinar os sons de modo agradável ao ouvido, obedecendo aos critérios do ritmo, melodia e harmonia. Rítimo = São movimentos em tempos fracos e fortes com intervalos regulares. O rítimo faz a música andar. Melodia = Sucessão rítmica, ascendente ou descendente de sons simples, a intervalos diferentes e que encerram certo sentido musical. A melodia faz a música ter vida. Harmonia = São notas diferentes executadas juntas em conformidade ou em harmonia entre si formando uma cossonância lógica. Sua função é dar vida a música. Em síntese, a música é feita pela execução de acordes diferentes, mas que tenham coerência entre elas. Os Acordes Antes de tudo, quero deixar uma coisa bem definida: Nota é diferente de Acorde pois: Nota = É a menor divisão de um acorde, ou seja qualquer barulho é uma nota. Acorde = É a união de várias notas, em harmonia, formando assim um único som. Os acordes podem ser classificados em:
Para que todo o mundo falasse a mesma linguagem na música, foi desenvolvido um sistema, que consiste em representar as notas e os acordes pelas letras do nosso alfabeto, em qualquer parte do mundo a representação será a mesma. O gráfico mostra o acorde(acima) e a nomenclatura(abaixo).
Formação de acordes Os acordes são formadas pela parte melódica e pelo baixo.
Portanto guarde estes números: 3 e 7. Estes números são da 3ª e da 7ª de todo e qualquer acorde. Terça maior para acordes maiores; terça menor para acordes menores, sétima maior para acordes maiores e sétima menor para acordes menores. Veja a seguinte progressão harmônica:
Observe nos três últimos compassos do exemplo acima: (Dm7,G7,C7M). A 3ª nota do acorde de Dm7 (F) torna-se a sétima do acorde de G7. A 3ª nota do acorde de G7 (B) torna-se a sétima do acorde de C7M. Daí a regra: Três vira sete e sete vira três, e assim por diante. Dissonantes Dissonantes são acordes com alteração de graus na sua formação, são elas que dão o brilho na música. Os acordes são formados através dos 1o, 3o e 5o graus da escala, e agora veremos que todos os graus presentes entre eles são considerados dissonantes. Vamos a escala de C(dó).
Ou seja, o acorde de C é formado pelos graus 1o , 3o e 5o ou seja, C, E e G! Agora :C, E e G# formam a C5+ pois o 5o grau foi aumentado em meio tom. E para montar uma dissonância menor é só diminuir o grau! Assim: 1ª, 3ª e 5ª formam o C, mas se baixarmos a 5ª em meio tom será um C5- Consonantes Consonante é o acorde com alterações no seu baixo, ou seja, as dissonantes tem alterações nos graus de sua formação; já as consonantes no seu baixo. Basta apenas trocar o baixo original pela nota que se deseja. Assim: C= 1ª , 3ª e 5ª graus mais o baixo em C, se você deseja fazer um C/B é só fazer a melodia de C= 1ª , 3ª e 5ª graus e ao invés de fazer o baixo na nota C, fazer no B. Relativos Se observarmos atentamente notaremos que as mesmas notas que formam a escala de dó maior são as mesmas que formam a escala de lá menor, bem como as notas da escala de sol maior são as mesmas da escala de mi menor. Portanto, são tons relativos:
Toda tonalidade maior tem como seu tom relativo uma tonalidade menor, e toda tonalidade menor tem com seu tom relativo uma tonalidade maior. Fonte: Originalmente, este artigo estava publicado em http://acustico.adoracao.com.br/teoria/index.htm, porém infelizmente, este endereço não é mais válido Se você gostou desta página, envie o link para os amigos via e-mail! Nota: É necessário ter um programa de e-mails (Outlook, Eudora, Netscape, etc...). Não funciona por WebMail. Se você tem alguma sugestão ou reclamação, ou também tem artigos interessantes sobre o assunto, e gostaria de compartilhá-los, publicando-os neste espaço, entre em contato conosco. Lembramos que os textos aqui postados são de responsabilidade de seus autores. Por isso, ao usar algum texto ou parte dele, mencione a origem da informação e o nome do autor do texto. dicas musicaisEscalas musicais - quando a matemática rege a música por Miguel Ratton Embora este seja um tema extremamente vasto, apresentamos aqui uma abordagem resumida a respeito de alguns conceitos básicos sobre a afinação dos instrumentos musicais: origem, evolução e tendências. Dentro do imenso mundo da tecnologia musical, este é um dos temas mais interessantes, não só porque envolve fatos históricos e científicos, mas pela eterna polêmica que sempre o acompanha. Infelizmente, além de não existir muita literatura sobre o assunto, principalmente na língua portuguesa, pouca ênfase é dada à matéria na maioria dos cursos de música no Brasil, o que faz com que muitos músicos desconheçam certos fatos ligados ao assunto. Em uma primeira análise, podemos entender que dois sons que mantêm uma relação inteira entre os valores de suas freqüências fundamentais certamente resultarão em uma sensação auditiva natural ou agradável, pelo fato de seus harmônicos estarem em "simpatia" ou "consonância". No caso específico em que a freqüência fundamental de um som (f1) é o dobro da freqüência fundamental de outro (f2), diz-se que o primeiro está uma oitava acima do segundo (f1=2 . f2). A tabela 1 mostra três sons complexos (pois contêm harmônicos pares e ímpares), designados por S1, S2, S3, e os valores respectivos das freqüências componentes (fundamental e demais harmônicos). Podemos observar que todos os harmônicos pares de S2 têm freqüências idênticas às de alguns harmônicos ímpares de S1, e também que o fundamental e todos os harmônicos de S3 são freqüências dos harmônicos pares de S1.
Tabela 1 - Comparação de sons consonantes Dessa forma, podemos dizer que S3 está em perfeita consonância em relação a S1, enquanto que S2, embora não em perfeita consonância, possui uma certa "simpatia" àquele primeiro. Observe que S3 está uma oitava acima de S1, uma vez que sua freqüência fundamental é o dobro da freqüência fundamental de S1. Na verdade, a tabela apresentada tem apenas a finalidade de comprovar a análise psico-perceptiva feita pelo ouvido humano, quando recebe sensações auditivas oriundas de duas fontes (sons) diferentes. Alguns desses sons, quando em conjunto, podem produzir sensações agradáveis, como no caso dos sons S3 e S2 em relação a S1. Entretanto, sons cujas características não atendam a qualquer relação natural, podem dar a sensação de dissonância ou desafino, pouco agradáveis. A partir do princípio mostrado no exemplo é calcada então toda a teoria original a respeito da formação das escalas musicais. Pelo que já foi exposto, e a partir da comparação apresentada na tabela 1, podemos concluir que se quisermos gerar dois sons musicais diferentes, que sejam perfeitamente consonantes, estes deverão manter uma relação de oitava, onde todos os harmônicos do som mais alto estarão em perfeita consonância com o som mais baixo. No entanto, sons gerados simultaneamente em alguns outros intervalos diferentes da oitava podem produzir sensação agradável aos nossos ouvidos, por conterem também uma boa parte de harmônicos coincidentes, como no caso de S2 em relação a S1, na tabela 1, que na realidade é o intervalo chamado de quinta, e que mantém uma relação de 3:2. É claro que se fossem utilizados somente os intervalos de oitava e de quinta para criar sons em música, o resultado seria bastante pobre pela escassez de notas. Assim, várias civilizações procuraram desenvolver, científica e experimentalmente, gamas de freqüências dentro do intervalo de oitava, com as quais pudessem construir suas músicas. A essas gamas dá-se o nome de escalas musicais, e há uma variedade delas, baseadas em critérios diferentes para a definição das notas.
Tabela 2 - Intervalos consonantes Além da oitava e da quinta, outros intervalos de sons também são considerados esteticamente consonantes pela maioria dos autores, e estão apresentados na tabela 2. Cabe ressaltar que os intervalos em questão foram representados por suas relações matemáticas no que diz respeito à relação harmônica. Tomemos como exemplo o caso do intervalo de quinta: sua freqüência é igual à freqüência do terceiro harmônico da nota de referência (três vezes a freqüência da fundamental), e é dividida por dois, de forma a abaixar uma oitava, para cair dentro da mesma oitava da nota de referência, daí a relação 3:2. O tipo de escala musical mais utilizado hoje em praticamente todo o mundo foi desenvolvido pela civilização ocidental e baseia-se numa gama de doze sons (dodecafônica). Outras civilizações, como a chinesa, utilizam gamas diferentes. Até chegar-se aos doze sons da escala ocidental, muitas idéias foram experimentadas e discutidas.
Escalas microtonais Mesmo depois da escala igualmente temperada ter-se firmado como um padrão ocidental de afinação, muitas idéias continuaram a surgir. Francesco Vallotti e Thomas Young, por exemplo, idealizaram um procedimento para se criar uma escala a partir da escala pitagórica, onde as seis primeiras quintas seriam abaixadas 1/6 de coma pitagórica, de forma a possibilitar ao instrumento a execução de músicas em qualquer tonalidade. Há também civilizações que utilizam até hoje escalas completamente diferentes da ocidental convencional, como a escala indiana, composta por 22 sons, todos baseados em intervalos acusticamente puros. Mesmo a partir do século XX, após o estabelecimento sólido do igual-temperamento, continuou havendo muito interesse por alternativas diferentes, principalmente escalas com mais do que doze sons. Algumas dessas escalas também mantém uma mesma relação proporcional entre duas notas vizinhas, como acontece na escala temeprada convencional. Dentre elas poderíamos citar as escalas de 19, 24, 31 e 53 sons, sendo que todas elas, da mesma forma que a escala temperada convencional de 12 sons, sofrem da imperfeição dos intervalos, embora possibilitem transposição de tonalidade sem problemas. Outras escalas microtonais alternativas são baseadas nos intervalos acústicos perfeitos, como a escala de Partch, com 43 sons em intervalos puros, e as escalas propostas pela sintesista Wendy Carlos: alfa (17 sons), beta (20 sons) e gama (36 sons). Bach e o temperamento igual Johann Sebastian Bach, compositor do século XVIII que dispensa apresentações, escreveu uma série de 24 prelúdios e fugas, cobrindo as 24 tonalidades maiores e menores, chamada de O Cravo Bem-Temperado. Este certamente foi o primeiro trabalho que se tem registro que explora todas as tonalidades, apresentado logo após a proposta de Werkmeister. A maioria dos livros registra que J.S. Bach era um entusiasta do temperamento igual nas doze notas da escala musical. Entretanto, há controvérsias, levantadas por alguns estudiosos contemporâneos, como a já citada Wendy Carlos, que também é autora de trabalhos memoráveis como Switched-On-Bach e The Well-Tempered Synthesizer, e também por Scott Wilkinson, autor do livro Tuning In - Microtonality In Electronic Music. Este último argumenta em seu livro que "ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, J.S.Bach escreveu o Cravo Bem-Temperado não para reforçar sua preferência pelo temperamento igual, mas sim com a intenção de ilustrar a coloração que há em cada tonalidade, devido às diferenças dos intervalos dos semitons temperados em relação a seus correspondentes não-temperados". Entretanto, de acordo com uma análise efetuada em 1979 por John Barnes nas peças de O Cravo Bem-Temperado, Bach haveria usado mais constantemente alguns determinados intervalos, o que levou Barnes a concluir que o compositor, na realidade, usara uma variação da escala Vallotti & Young, com o F# também elevado em 1/6 de coma. Afinação nos instrumentos eletrônicos Evidentemente, a eletrônica e os microprocessadores trouxeram novos horizontes para aqueles que desejam experimentar afinações diferentes da tradicional escala temperada. Atualmente, a maioria dos sintetizadores oferece recursos de afinação alternativa, desde escalas pré-definidas, com intervalos fixos, até a possibilidade do músico criar sua própria gama de notas, ao seu bel-prazer. No século passado, foram desenvolvidos alguns instrumentos acústicos que usavam afinações baseadas em escalas não-convencionais, como por exemplo o Voice Harmonium, criado por Colin Brown, que tinha extensão de cinco oitavas, mas usava mais de 40 notas em cada oitava. Na era eletrônica, o Scalatron é apontado como o primeiro sintetizador microtonal a ser comercializado. Lançado pela Motorola em 1974, ele permitia o uso de escalas alternativas, e podia ser equipado com um teclado convencional ou especial. Dentre os dinossauros dos sintetizadores, os Prophet-5 e Prophet T-8, da Sequential Circuits, já ofereciam recursos de afinação alternativa, ainda que para programá-los não fosse uma tarefa muito fácil. A primeira série do DX-7 da Yamaha não possuía opções de escalas alternativas, mas a placa de expansão E!, desenvolvida pela Grey Matter Response, além de outras coisas, dava-lhe possibilidade de ter mais 16 escalas alternativas à temperada. Posteriormente, a Yamaha lançou diversos instrumentos com tais recursos: FB-01, TX-81Z, DX-11, DX-7-II, TX-802, e por fim a série SY. A Kurzweil também incorporou em diversos modelos (K150FS, K1000, etc) recursos de microafinação, o que também foi feito pela Ensoniq em seu sampler pioneiro Mirage, e depois no EPS. A Roland, a Kawai e a E-mu Systems também introduziram esses recursos em diversos de seus modelos. Configurando via MIDI Para quem pensa que toda essa conversa tem apenas uma conotação científica e histórica, vale a pena mencionar que a comunidade MIDI já estabeleceu alguns recursos para a reafinação automática de instrumentos, o que mostra que certamente há, no resto do mundo, um número significativo de pessoas usando - ou pelo menos tentando usar - alternativas de afinação em seus instrumentos, e que necessitam de um controle mais eficiente e preciso desse processo durante a execução musical. Dessa forma, a International MIDI Association já definiu alguns comandos, dentro da categoria das mensagens Sys-Ex, que permitem manipular os recursos de afinação dos instrumentos. Por meio deles, pode-se afinar qualquer nota do instrumento, individualmente, na faixa de 8,66 até 13.290 Hz, com uma resolução de 0,0061 cents, inclusive em tempo-real. Além disso, os comandos permitem mudar imediatamente de uma escala de afinação para outra. Isso significa que se uma pessoa usar em suas músicas instrumentos com uma afinação não-convencional, esta afinação poderá ser "passada" instantaneamente pelo seqüenciador para outros instrumentos MIDI que forem usados posteriormente para executar aquelas músicas (evidentemente, se esses instrumentos implementarem tais recursos). Apenas a título informativo: esses comandos usam mensagens Sys-Ex com cabeçalho F0 7E <device> 08 ... para atuação em tempo-real, e F0 7F <device> 08 ... para atuação que não seja em tempo-real (abordaremos esse assunto com mais detalhes futuramente). Tendências Como pudemos ver no decorrer deste texto, a base da harmonia musical está calcada diretamente sobre as relações matemáticas entre as notas, embora muitos nunca tenham percebido. Infelizmente, a maioria dos estudos sobre métodos de afinação e escalas musicais foi desenvolvida por pessoas de áreas ligadas à física, e não propriamente à música, o que quer dizer que a colaboração dos músicos - aqueles que têm maior sensibilidade para o assunto em questão - tem sido muito tímida, o que revela, portanto, que a matéria deve ser mais divulgada, em todos os níveis. Com os recursos de afinação alternativa, cada vez mais comuns nos instrumentos eletrônicos modernos, é de se esperar que as pessoas se envolvam mais com pesquisas sonoras baseadas em outras escalas que não a temperada convencional. Com a especificação de comandos MIDI possibilitando os instrumentos alterarem sua afinação em tempo-real, pode-se viabilizar a reafinação no meio de uma música, o que permitirá o uso de escalas como a justa, mesmo em composições transpostas ou com modulação. O objetivo deste texto foi trazer à luz mais um conceito tecnológico fundamental da música, que, embora usado por todos, ainda é desconhecido ou obscuro para a maioria. As informações foram colhidas em diversos textos, sendo que os mais importantes estão listados a seguir.
Texto publicado na revista Música & Tecnologia em 1993 Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1996 10월 22일 Falando sobre Deus 5 última citação,pois o assunto é infindavel.
Citação Deus 5 última citação,pois o assunto é infindavel. dicas musicaisDicas para solar em guitarra ou piano Introdução: Pode ainda não ter descoberto que há escalas que nos ajudam, em função da progressão de acordes, a identificar as notas que encaixam na melodia. Se tiver curiosidade consulte as lições sobre as escalas pentatónicas e as escalas Gregas: Independentemente disso, a informação desta página aplica-se, mesmo que não conheça as técnicas referidas. Se as conhecer, melhor ainda! Estilos de música: Reconheça os diferentes estilos em função da forma como os instrumentos que solam (guitarra, baixo, piano) mudam de tom com a progressão da melodia, reparará que:
Nos estilos pop, rock e blues, é bastante mais importante identificar a escala que se encaixa bem em toda a progressão de acordes. As lição dois sobre modos Gregos ilustra como se pode fazer isto. Independentemente disso, neste estilos, concentre-se nas notas alvo, em função do ritmo:
4월 30일 A MÃE DAS CRIANÇASOpiário
<BR>á vc<br>
1월 29일 A tragédia musicalOlhem a situação da nossa MPB: -Cazuza e Renato Russo morreram de AIDS; -Chico Science e Gonzaguinha morreram em terríveis acidentes de carro; -Marcelo Yuka foi baleado e ficou sem o movimento das pernas e do braço esquerdo; -Hebert Vianna sofreu um acidente de ultraleve, perdeu a mulher e sofreu danos no cérebro; -Marcelo Fromer foi atropelado e morreu no hospital; -Cássia Eller nos deixou, após um coquetel de drogas. Quem será o próximo? Ao longo dos anos, o abuso das drogas e do álcool nos tirou: Elvis Presley, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Brian Jones, John Boham, Kurt Cobain, Bradley Nowell... Outras fatalidades levaram Cliff Burton, Stevie Ray Vaughan, Jonh Lennon, Bob Marley, Rhandy Rhoad, Joe Ramone, Frank Sinatra, Fred Mercury, George Harrison, Marwin Gaye... AGORA PARE E PENSE: QUANTOS PAGODEIROS, FUNKEIROS E AXEZEIROS MORRERAM? O Beto Jamaica cheira o que o nariz agüenta e não morre, aquela praga; O Alexandre Pires enche o rabo de cachaça, sai a toda com o seu carro, mata um coitado no meio da rua, não morre e continua compondo aquelas merdas; O Xandy e a Carla Perez, vão piorar ainda mais o futuro do mundo, tendo outros filhos; O Netinho, do Negritude Júnior tem voz de viado, cara de viado, rebola como viado, parece viado e tem filho que nem coelho; E o tal do Rodriguinho, o que ele quer com aquela viseira na cabeça? E o Cumpadi Washington, tem a maior cara de pinguço de boteco da esquina, um péssimo gosto para roupa, mas come a Sheila Carvalho; E o pagodeiro Bello, metido com traficante e até encomendando míssil anti-aéreo... AONDE O MUNDO VAI PARAR? Não quebre essa corrente! Se vc passar essa mensagem para: *1 pessoa: Morre o Xandy; *2 pessoas: Morrem Xandy e Netinho; *3 pessoas: Morrem o Bonde do Tigrão, o Cumpadi Washington, Xandy, Alexandre Pires e o Vavá; *10 pessoas: Morrem É o Tchan, Alexandre Pires, Vavá, Frank Aguiar, qualquer nome 'dos teclados´, a Kelly Key e o Xandy; *25 pessoas: Haverá um show de pagode/funk/axé no Afeganistão, em homenagem ao Bin Laden, e ele, para variar, decidirá jogar o avião dos 'artistas' em cima da casa do Xandy. *50 pessoas: a Sandy se transformará em uma porra-loca, sairá na Playboy, se tornará stripper de uma boate em Copacabana e cobrará 10 mangos mais uma coxinha com Sukita pelo programa, e seu irmão, o Júnior, mudará de sexo, e passará a se chamar Samantha, e o melhor de tudo: ficará mudo. CASO VC NÃO PASSE ESSA MENSAGEM PARA FRENTE, TODOS OS RÁDIOS À SUA VOLTA TOCARÃO ETERNAMENTE 'EGÜINHA POCOTÓ', 'BABA BABY', 'MAIONESE'. Isso é assunto sério!!! Não quebre esta corrente!!! 1월 28일 Deus 1 (fora da ordem,deletei o outro rsrsrs)NIETZSCHE ( 1844 - 1900 )
“Todo trabalho importante – deves ter sentido em ti mesmo – exerce uma influência moral. O esforço para concentrar uma determinada matéria e dar-lhe uma forma harmoniosa, eu o comparo a uma pedra atirada em nossa vida interior: o primeiro círculo é estreito, mas amplos se destacam”. (Carta de Nietzsche a Deussen.)
VIDA e OBRA
O século XX inaugura-se com morte de F. Nietzsche, que se revela como o seu pensador mais significativo. Sua vida é breve e solitária, embora mantenha sempre vivo um laço de afeto com a mãe e a irmã Elisabeth. Mesmo em sua solidão, ele se mantém em constante contato epistolar com alguns fiéis amigos e amigas. f 1844- Friedrich Wilhel Nietzsche, nasce em Rócken, na Prússia, no dia 15 de outubro. Seu pai e seus avós eram pastores protestante. Nietzsche pensou em seguir a mesma carreira. f 1849- Morre seu pai e seu irmão, em decorrência disso, sua mãe mudou-se com a família para Namburg. f 1858- Obtém uma bolsa de estudos, ingressando no Colégio Real de Pforta, local onde havia estudado o poeta Novales e o filósofo Fichte. Influenciado por alguns filósofos e professores, Nietzsche progressivamente começa a afastar-se do cristianismo. Exímio aluno em grego e nos estudos bíblicos além do alemão e latim, inclinou-se à leitura dos clássicos de Platão e Ésquilo. f 1864- Inicia a carreira acadêmica na Universidade de Bonn, on’de se dedicou aos estudos de filosofia e teologia, mas tarde acaba por abandonar a teologia. f 1865- Transfere-se para a Universidade de Leipziz onde sob a influência de seu professor Ritschl, eminente helenista, passa então a dedicar-se exaustivamente ao estudo da filologia clássica. Seguindo as pegadas de seu mestre, se debruçou na investigação de obras clássicas tais como: Homero, Diógenes Laércio (séc. II), Hesíodo (séc. VIII aC.). Nesta época entra em contato com as obras de Arthur Schopenhauer. f 1867- Incorporado ao serviço militar sofre um acidente de montaria e é dispensado, voltando a se dedicar aos estudos em Leipziz, onde consegue o cargo precoce de professor de Filologia Clássica na Universidade de Leipziz. Ainda em Leipziz, conhece Richard Wagner onde a notável influência deste homen o faz a dedicar-se a música e poesia. Nesta mesma época apaixona-se por Cosima, filha de Liszt que vem a ser a musa inspiradora de sua obra posterior a "Sonhada Ariane". f 1869- É nomeado professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, na Suíça. Todas as manhãs, de segunda a sábado, a partir das sete horas, dava cursos sobre Ésquilo e sobre a poesia lírica grega. Para um público numeroso faz palestras “Sobre a Personalidade de Homero”, “Sócrates e a Tragédia” e “O Drama Musical Grego”. Redige “A Visão Dionisíaca do Mundo”, primeiro capítulo de um ensaio que pretendia escrever sobre a “Origem e Finalidade da Tragédia” f 1870- Devido a guerra entre Alemanha e França é convocado ao serviço militar como enfermeiro, permanecendo por pouco tempo, pois adoece ao contrair difteria e dessinteria. Retorna a Basiléia a fim de prosseguir em seus cursos. f 1871- Acaba de redigir, O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música, publicado em janeiro de 1872. f 1872- Passa todo o ano imerso em ocupações: prepara os cursos para a Universidade, escreve e, de quando em quando, compõe. Redige, nessa época, um pequeno ensaio sobre “A Kusta de Homero” e dedica-se ao estudo dos filósofos pré-socráticos. f 1873- Redige "A Filosofia na Época Trágica dos Gregos" e "Introdução Teorética sobre Verdade e Mentira no Sendito Extra-Moral". David Strauss, o devoto e o escritor. Primeiras crises de saúde. f 1874- São editadas a Segunda Consideração Extemporânea: Da utilidade e Desvantagens da História para a Vida, e a Terceira: Schopenhauer educador. f 1876- Aparece a Quarta Consideração Extemporânea: Richard Wagner em Bayreuth. f 1878- Publica Humano, demasiado Humano. f 1879- Apresenta carta de demissão junto à Universidade de Basiléia, doente abraça uma vida errante, volta à cátedra e escreve mais 2 apêndices a Humano, demasiado Humano: Miscelânea de Opiniões e Sentenças e O andarilho e sua Sombra. f 1880- Nietzsche publica O Andarilho e sua sombra. f 1881- Publica Aurora - pensamentos sobre os preconceitos morais. Em Sils Maria, é atravessado pela visão do eterno retorno. Durante o verão reside em Hante, é nessa pequena aldeia de Silvaplana que durante um passeio, teve a intuição de O Eterno Retorno, redigido logo após. Em outubro de 1881 vai a Gênova, depois a Roma. f 1882- Aparece Gaia Ciência. Em abril, conheceu em Roma uma jovem russa chamada Lou Salomé. Sua presença de espírito e capacidade de escuta atraíram-no; seu ardor intelectual e desejo de vida seduziram-no. Aos trinta e sete anos, apaixonou-se. Embora o pedido de casamento tivesse sido recusado, uma afetuosa amizade nasceu entre eles. A família de Nietzsche interpôs-se: temia que uma ligação escandalosa viesse a macular sua reputação. Arrastado por sentimentos contraditórios, ele não sabia mais em quem confiar, rompendo com todos. Idéias de suicídio perseguiram-no; por três vezes, chegou a tomar uma quantidade abusiva de narcóticos. Retorna à Itália. f 1883/5- De volta à Alemanha escreve: Assim falou Zaratustra: Um Livro Para Todos e Para Ninguém. f 1886- Surge Para Além de Bem e Mal - prelúdio a uma filosofia do porvir. Escreve os prefácios ao primeiro e segundo volumes de Humano, demasiado Humano, O Nascimento da Tragédia, Aurora e A Gaia Ciência, assim como a quinta parte deste livro. f 1887- Redige "O Niilismo Europeu" e publica Para a Genealogia da Moral - um escrito polêmico em adendo a Para Além de Bem e Mal como complemento e ilustração. Instala-se em casa de sua mãe, em Naumburgo. Após a morte dela a irmã leva-o para sua residência em Weimar e ali ficaram a viver os dois. f 1888- Escreve O Caso Wagner, Crepúsculo dos Ídolos, O Anticristo, Ecce Homo e elabora Nietzsche contra Wagner e Ditirambos de Dioniso. Alguns de seus livros só foram editados depois de sua morte. Em vida financiou todas as suas obras. Neste período passa a escrever cartas estranhas aos amigos. Até então não havia sinal decisivo de loucura, tratava-se de uma doença orgânica do cérebro com caráter de paralisia, onde constatou-se a loucura psicológica. f 1889- Em Turim, no auge da sua enfermidade, passa a assinar as suas cartas ora como Dionísio, ora como o crucificado. Sendo internado nesta época, numa clínica psiquiátrica em Basiléia, com o diagnóstico de paralisia progressiva, provavelmente de origem sifilítica. É transferido para Jena. f 1890- Deixa a clínica de Jena sob a tutela da família. f 1900- Morre a 25 de agosto em Weimar, vitimado por uma pneumonia. A irmã refere à hora do seu passamento, precedido duma grande trovoada, o que a fez supor que ele patiria deste mundo entre relâmpagos e trovões. “Assim partiu Zaratrusta”
A Problematicidade de Deus em Nietzsche
“Já ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna numa manhã clara, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: “Eu procuro Deus! Eu procuro Deus!". Como muito dos que não acreditam em Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muita risadas... “Onde está Deus!”, ele gritava. “Eu devo dizer-lhes: nós o matamos – você e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos...”
- (Friedrich Nietzsche, Gaia Ciência (1882), parte 125.)
Nietzsche, em seu filosofar, não pode ser identificado como um filósofo portador de um discurso periculoso e trágico. Pelo contrário, essa suposta carga negativista e pessimista que se verifica nos seus escritos, ressoam, em quase todas as suas abordagens, como um manifesto de reivindicação e de superação da condição existencial humana. Em Assim falou Zaratustra, Nietzsche destaca a necessidade do anúncio do super-homem. Nele, Zaratustra, seu personagem principal, proclama a falência da civilização e a aurora de uma nova era. É o anúncio de que o homem deve superar a si mesmo, à sua potencialidade negada. Procurando sacudir o velho homem, que vivia enclausurado no seu pessimismo e ilusão, o novo pretende ser substituto daquele. O superar típico do super-homem, entendido como ato de abertura para o nada ou para o sagrado, nada mais é do que a própria vontade de poder. O super-homem como superação implica a dimensão do divino, que, segundo Nietzsche, seria um “ponto” na vontade de poder. Sendo assim, o divino não é uma coisa separada do homem, tampouco uma realidade para fora de si e que tem poder de manipulação, mas o divino e o humano se encontram no ato contínuo e ininterrupto de superação do objeto conhecido e, por conseguinte, na consciência do não-poder em relação ao não-objeto, isto é, ao nada (Penzo, 1999).
Desta forma, é revertida a concepção metafísica do conhecer como esperança e a de Deus como causa última de segurança. Para Nietzsche, a segurança na raiz metafísica leva o homem a experiênciar a convicção e a segurança, levando-o a ver Deus como objeto último de sua esperança, donde provêm a sua fé e a sua verdade absolutizada. Nessa linha, seria catastrófico para o homem, sedimentado em terreno metafísico, ouvir a proclamação da morte de Deus, pois ela acentua a natureza do medo e da dramaticidade existencial, visto que pensar na sua ausência assinalaria o declínio da esperança e o estabelecimento da incerteza. O anúncio da morte de Deus, portanto, não se trata de propagar idéias anti-teístas. Não pretende ser a disseminação do ateísmo. Mas em erigir um novo conceito sobre o homem e sobre Deus. A morte de Deus, para Nietzsche, representa o fim e o declínio da formulação do Deus que a metafísica clássica ocidental construiu: o de ser absoluto e supremo. Quer dizer que a idéia do Deus do cristianismo deveria morrer na consciência do ser humano enquanto mantenedor do sistema tradicional de valores. Como resultado disso, alguém deveria ocupar o seu lugar – o próprio homem.
No passado, o ser humano obedecia irrestritamente ao “farás” e “não farás”, da parte de Deus ou dos códigos doutrinais rigidamente patrocinados e construídos pela religião burocratizada. Para Nietzsche, esse ditos e sentenças estavam com os dias contados. Uma nova ordem de valores estava para ser estabelecida. O homem não mais podia se inclinar aos mandamentos divinos. Mas deveria ele mesmo conduzir os seus próprios desígnios. Somente ele é que poderá fazer as suas escolhas. E, acima de tudo, optar por uma delas, sejam elas boas ou más. É o que Nietzsche emblematicamente denomina de: “a transvalorização de todos os valores”. Os valores antigos e tradicionais caducaram. Esse arcaicos valores devem ceder espaço para o surgimento de novos valores. Não mais centrados em afirmações religiosas ou metafísicas. Mas redigidas e assinadas pelo próprio homem. Porém não é qualquer homem. Tem de ser um homem superior. Não o que prometa felicidade e gozo na transcendentalidade, mas concretamente, existencialmente. Este homem superior, portanto, é o Ubermensch, literalmente homem superior, passando a ser denominado também de super-homem. Entretanto, esse super-homem não tem qualquer conexão com o herói em quadrinhos.
Nas reflexões de Nietzsche, este homem superior era proveniente do desenvolvimento da humanidade num sentido darwinista. Ele aceitava as idéias de Darwin no que tange ao processo seletivo e natural da vida, no qual as espécies mais fracas são aniquiladas e as mais fortes sobrevivem para produzir espécies mais fortes ainda.
A teoria evolucionária de Darwin fundamenta e alimenta os pressupostos nietzschianos, sobretudo em relação ao homem superior. Porém, ele não pensou apenas numa nova raça desenvolvida nos níveis educacional ou espiritual que partisse do inferior para o superior. Ele tomou a idéia de Darwin literalmente. Pensava que o homem superior haveria de ser fisicamente mais forte. Deveria ter poder no soma [corpo] e na psique [alma]. Metaforicamente, deveria ser uma espécie de “besta-fera”, um centauro [metade gente, metade animal], bastante desenvolvido intelectualmente, não irracional, mas poderoso, representando, assim, uma nova formatação existencial completamente acima e superior do homem europeu massificado. O homem massificado evita a qualquer custo a controvérsia. É conformista, indiferentista e não têm preocupações supremas, acha a vida aborrecida e é cínico e vazio. É o que chama de niilismo (ex nihilo), para o qual a nossa cultura se dirige (Tillich). A bem da verdade, ao anunciar o super-homem como superação de si mesmo, Nietzsche sublinha e apresenta, em Assim falou Zaratustra, uma nova transcendência filosófica, pautada no nível existencial, na qual se abre o horizonte “nadificado” entendido positivamente, que se resolve como o horizonte do sagrado.
Assim, em seu pensamento sobre o sagrado, Nietzsche observa que a morte de Deus é um acontecimento cultural, existencial e extremamente necessário para purificar a face de Deus e, por conseqüência, a própria fé em Deus. Deste modo, Nietzsche não mata Deus. Mas limita-se a constatar a ausência do divino na cultura do seu tempo, acusando, pelo contrário, por essa ausência e morte, a teologia metafísica. Com base na rejeição da tese da fé-segurança, que a priori funda-se numa certeza típica da ciência, Nietzsche também crítica o espírito que levará a secularização inautêntica ou ao secularismo do cristianismo.
Logo, matar a Deus significa, noutras palavras, matar o “dogma”, o “conformismo”, a “superstição” e o “medo”, é não aceitar mais a imposição de regras cristalizadas, que impossibilitam a superação e a transcendência, além da auto-afirmação do ser humano, que luta incansavelmente para libertar-se elevar-se em sua saga existencializada.
Referências Bibliográficas
COPLESTON, Frederick S. J. Nietzsche: filósofo da cultura. Coleção Filosofia e Religião, Porto, Portugal, Livraria Tavares e Martins, 1953. MARTON, Scarlett. Nietzsche. 4ª ed., In: Coleção Encanto Radical, São Paulo, Brasiliense, 1986. PENZO, Giorgio. O divino como problematicidade. In: Deus na filosofia do século XX, São Paulo, Loyola, 1999. TILLICH, Paul. Perspectivas da teologia protestante nos séculos XIX e XX. Trad. Jaci Maraschin, 2ª ed., São Paulo, ASTE, 1999. 1월 26일 ADICTOSAdicto maldito
convicto aflito
convivio continuo
com vivo desatino
desafio,desafino
sacrifico teu filho
Adicto maldito
convicto aflito
um brilho um tiro
eu miro e me viro
sou ferido pelo gatilho
mesmo perdido eu reflito
Adicto maldito
convicto aflito
atino o meu ser
e no escuro velas
agradeço você
que tem tantos nomes
tantos homens
sem mais nem porque
Adicto maldito
convicto aflito
acredito em um poder
que nem todos podem crer
reflito e transito
no infinito que habito
Óh meu amigo
adicto maldito
convicto aflito. Quando querem me usar.olham para mim, sentem meu cheiro
me dizem oque é certo ou errado
mas no fundo nem ligam pra mim.
É assim tudo tem um preço
eu agradeço tua preocupação
mas no mundo cão eu padeço,
não quero comparação
nem tão pouco aceitação
Só a justiça me interessa
não me negue tenho pressa
eu tenho medo,tenho sonhos
Eu não presto?Não interessa.
Mas não minta tanto assim
não sei se quero um sim
é mesmo tão engraçado
sou o palhaço do outro lado
sofro e choro aqui calado
ainda pago as suas contas
não vejo nada de bom por mim
você só quer minhas plantas
mas não vai regar o meu jardim
oh não meu bem
não me entregue assim
seja feita a vossa vontade
aqui na terra ou no deserto
de solidão que transformou meu coração.
Quando querem me usar
quando querem me comprar
quando querem meu sangue
não me engane não ok?
uma canção me persegue
um ressentimento me ilude
e oque eles querem de mim?
Por que eles me querem????
Sou o teu pouco caso
sou nada e infinito,será?
sou a arma e a cilada
sou a cobaia entocada
sou o maior abandonado
sou a maioria aflita calada
sou a anti-moda divina
a dívida do 3º mundo...
sou a escória e a miséria
a terra e todas suas guerras
sou carro s/ freio descendo a serra
sou quem nega o receio
sou sua patria corrupta
sou o lixo sou o asco
sou um número uma iluzão
sou um mero cidadão
sou escravo da cilada
prissioneiro do que dig
escrevo oque eu s
, por isso grito e minto
pois quando querem me usar
não ligam mesmo pra mim
Quando querem me usar
pedem meu autógrafo
medem meu marasmo
rir ou chorar das desgraças
cair bebado nas asas da graça
vomitei todas suas traças
vi vultos tive iluzões
e nada lhes comove
até que se prove nada me move
me socorrem quando querem me usar
no ar que eu respiro
quando eu nasci
enquanto cresci
e quando morrer
vou ter que dar muita grana
é isso que esperam
é isso que querem
quando querem me usar
eu passo a existir
posso até refletir
até aceito ser um número
no caminho estão as pedras
debaixo delas o meu orgulho
em cima delas minha loucura
é assim que me querem
sem saber oque fazer
sem nada por merecer
só querem me ver consumir
quando eles me usam quero sumir
vale tudo vão no fundo
não importa o meu penar
quando querem me usar.
Eles nada esperam
e no funda nada sinto
eis que aqui querem me usar
oque eles querem é oque
a gente menos espera...
nunca estão do seu lado
cuidado,cuidado,cuidado,
o sistema te devora e agora?
Quando querem me usar
vale tudo fico mudo
fico burro e sigo louco
não vale nada lutar
vamos parar e sofrer?
Aceitar é melhor que correr?
Quando me querem é melhor
esquecer vai ferver eles sabem,
todos querem me vender...
será que vencer é poder?
Quando me querem
quero que eles se ferrem... 1월 24일 Deus 5 última citação,pois o assunto é infindavel.Vida de Chestov
León Chestov, certamente, é um dos filósofos contemporbâneos menos conhecido. Foi filósofo e escritor “radical”; um ardente místico, inimigo implacável da filosofia especulativa, da ciência, da razão e da moral. Seu principal pensamento permeia a questão da fé incondicional, e sua filosofia, toca o trágico e o absurdo se detendo em Deus, ou seja, Deus é o absurdo. Sua linha filosófica é identificada como religiosa.
Nasceu na Rússia, no ano de 1866 e, ao que parece, morreu na França, em Paris, no ano de 1938, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Apesar de ser russo, atuou no panorama do existencialismo francês juntamente com Berdjaev, seu compatriota e também filósofo, onde residiam como imigrantes desde a Revolução Soviética na Rússia, na antiga URSS. Em sua obra, "História da Filosofia", Reale e Antiseri (1991), citam que Chestov e Berdjaev foram os dois mais importantes representantes do existencialismo russo.
León Chestov, na verdade se chamava Issaakovitch Chuartzsman, dito Lev ou Lev Chestov, como normalmente é conhecido. Polemizado contra as pretensões da razão e da ciência, defendeu a idéia de uma fé incondicionada, levando ao extremo a oposição entre fé e razão traçada por Kierkgaard. Entretanto, não está de acordo no atinente às relações entre a moral e a religião kierkgaardiana.
É quase que impossível se referir a Chestov sem que se faça menção de seu amigo Berdjaev. Durante o período entre guerras - Primeira e Segunda Guerra Mundial - é constatada a presença de muitos escritores e filósofos russos em Paris, que por certa singularidade permite perceber um certo ar de família, enquanto apagando diferenças. Inclusive essa notificação, constitui-se como uma espécie de ferramenta para se distinguir Chestov e Berdajaev, que embora russos, divergiam nas idéias e nos procedimentos.
A concepção de mundo de Chestov era bem diferente da de Berdjaev. No tocante ao seu relacionamento com seu amigo e compatriota, Berdjaev, sempre discutiam. Mas, de certo modo, tinham uma espécie de comunhão existencial, o que aponta o quanto que pesquisavam a vida com sensação, embora com diferenças.
A Fé Incondicional
Um dos principais temas em Chestov, senão o principal, é a fé incondicionada. A fé na concepção de Chestov vê a Bíblia e o divino acima de tudo. A filosofia é especulativa. Mata a vida ao invés de desvendar o senso da vida. Inclusive, a vida é para razão um escândalo. Mas, não é a vida também uma filosofia? E a filosofia, vida?
A questão é que a filosofia, na maioria das vezes, se porta como um olhar lançado para trás e que então desprovê o indivíduo da fé, ao que conclui que, com esta percepção, isto é, viver olhando para trás, é viver a vida sem a dimensão da fé. Portanto, olhar para frente e para o que está vindo, com um tom inclusive de atrevimento, é buscar o reino de Deus que só é alcançado, diz Chestov, com violência. Todavia, a sua principal preocupação é o alcance do reino de Deus, que as pretensões da razão e da ciência, em sua ótica, não consideram como é preciso, com prioridade.
A fé conduz à vida, a ciência ao conhecimento, mas cabe ao ser escolher: árvore da vida ou árvore da ciência? – uma boa alusão ao Édem. “É preciso escolher entre Deus que nos põe de sobreaviso e a serpente que enaltece seus frutos”. Outrossim, a salvação reside na fé em Deus, e a terra prometida é para aquele que possui a fé. A verdade que a razão supõe ter não compreende Deus; antes, na sua tentativa de compreender Deus, aprisiona-o a conceitos que são limitados e em momento algum consegue exprimir a essência da realidade de Deus. É então, mediante ao desespero da razão que se dá a libertação, e o indivíduo passa do estado de impossibilitado de se abrir à fé, à vida e ao próprio Deus, ao estado de dimensão da fé.
O desespero, na verdade, está na impossibilidade da compreensão de Deus, que não é mensurável, racional; antes, é inefável. Aquele que confia na razão, na ciência, enquanto potencial humano para se alcançar Deus, está condenado ao “nada”. Mas, o que deixa de depositar suas esperanças na razão, pode viver a fé que não necessita de se justificar a outrem senão a si mesmo.
Chestov critica a filosofia especulativa e admite a filosofia existencialista. A propósito, leva ao extremo a oposição de Kiekergaard entre fé e razão. A filosofia existencialista, na sua concepção, está tão unida a fé, que aquela leva a efeito a obra desta e é o único meio de se ter uma nova dimensão, despega da filosofia especulativa.
Conforme Chestov, a filosofia faz do europeu um exímio seguidor da serpente. A serpente, que só dispõe da árvore da ciência, faz com que esses, transformem suas visões em juízos, afastando-o da terra prometida, que em hipótese alguma existe para o homem que sabe. Em outras palavras, ao ler-se as entrelinhas de seu pensamento, um conselho é oferecido: feliz é aquele que nada sabendo, permanece nada querendo saber.
O Deus do Absurdo e da Liberdade Pensamento de Chestov sobre Deus
Chestov, como filósofo existencialista, afirmava que todas as decisões do homem são somente por ele tomadas. A existência precede a essência, ou seja, os fatos ou realizações da vida não são fruto de pré-estabelecimentos ideais ou divinos. O homem de hoje é fruto de suas decisões passadas, podendo desfrutar de plena liberdade de escolha. Porém, essa liberdade pode estar ameaçada pela própria racionalidade humana, a partir do momento que ele é impedido de projetar-se ao Absurdo. Vê-se o Absurdo como o ilógico e indecifrável. Afirmar a existência de uma realidade extra-racional é afirmar o Absurdo. Logo, Deus é o absurdo e aquele que não o reconhece é escravo da razão. O homem livre é aquele que se projeta a Deus.
Entretanto, o projetar-se a Deus não consiste na busca de melhor compreendê-lo ou classificá-lo, mas aceitá-lo como Absurdo. “No termo das suas apaixonadas análises, Chestov descobre o Absurdo fundamental de toda existência, não diz “eis o Absurdo”, mas “eis Deus”: é nele que se deve confiar, mesmo que ele não corresponda a nenhuma das categorias racionais que se possa ter.
Assim, buscar compreender Deus é tornar-se escravo dos limites da razão, negando-se a liberdade que há na aceitação do incognoscível. Daí se entender que a filosofia existencial é filosofia da vida, porque é filosofia do “único necessário”: Deus; enquanto que a filosofia especulativa escraviza o homem, na medida em que estabelece padrões, limites racionais na compreensão do mundo e do próprio Deus.
O homem racional somente consegue segurança existencial diante das convicções lógicas, plausíveis. Ele possui a necessidade da racionalização de sua realidade. O homem da fé está convicto da impossibilidade de se compreender Deus, e é diante dessa impossibilidade que ele se projeta a Deus pela fé. Deus é contraditório e incompreensível, mas está na medida em que o seu rosto é mais indescritível que mais se afirma seu poder. A sua grandeza é a sua inconseqüência ou não previsibilidade, ou seja, para que o homem mergulhe em Deus, mister se faz a irracionalização de Deus. Para Chestov a aceitação do Absurdo é contemporânea ao próprio Absurdo: Deus.
Existe uma oposição entre a verdade de Deus, que consiste na plena contemplação do não racional, e a verdade filosófica, escravizada pela razão. Daqui a polêmica de Chestov contra os imperativos da moral e pretensões da razão. O Absurdo da fé não pode viver com a “necessidade” racional nem com os “tu deves” da moral. Ou o homem depende totalmente de Deus e se liberta da escravidão do saber e do pecado; ou o homem depende da razão e, neste caso, está perdido para Deus e para a liberdade: ou a liberdade ou o saber, ou a razão ou a fé.
Deus é incomensurável com as verdades racionais, com o bem e com o mal dos juízos morais. O homem da razão é o homem privado de si, privado de seus direitos particulares. Ele não passa de uma coisa ou um acontecimento dentre as outras coisas ou acontecimentos da natureza, uma pedra dotada de consciência, e não homem vivente”. Depois que os homem estenderam as mãos para a árvore da ciência, perderam para sempre a liberdade, que é essência da vida.
Ao se observar o olhar sobre teólogos mais ou menos notáveis, nota-se que não há alguém que, nas “aspirações ávidas”, não tenha sido influenciado pela razão kantiana – essa concupiscência invisível que provocou a queda do homem, ninguém viu nela o potencial de levar o homem à escravidão e à morte. Muito ao contrário: é tão grande o medo do homem diante da liberdade proclamada pela Escritura e diante do divino ilimitado, que prefere submeter-se a qualquer princípio, fazer-se escravo que qualquer força antes que se ver privado de um guia seguro.
Deus não obriga ninguém a nada: esta idéia parece insuportável. Mas a idéia de que Deus não está ligado por nada, absolutamente por nada, parece pura loucura. Se o próprio Deus é o Absurdo e projetar-se a ele é alcançar a liberdade, porque se distanciar dessa concepção existencial, estabelecendo leis morais, afirmadas como divinas, e racionalizando a forma de se apreender toda a realidade?
E aí está a noção de pecado para Chestov. Deus criou toda a natureza e criou o homem como seu mordomo. As leis de sobrevivência já estavam definidas, cabendo ao homem tomar todas as decisões plausíveis à sua liberdade. Porém, este homem afastou-se de Deus quando se submeteu aos limites da razão humana, ou seja, conheceu da árvore da ciência do bem e do mal. O homem, na soberba de sua ciência, buscou abarcar toda realidade criada e não criada aos limites de sua compreensão, distanciando-se da essência de Deus, somente alcançada pela aceitação do irracional, do Absurdo.
Portanto, é na aceitação do Absurdo que se conhece a verdade verdadeira, dom divino da inocência e não privilégio do saber orgulhoso. É através da fé, da aceitação do Absurdo à razão, que se pode experimentar da árvore da vida e da liberdade.
1월 22일 Deus 4Albert Camus
1) TRAÇOS BIOGRÁFICOS Albert Camus (1913-1960) foi uma personagem que deixou profundas marcas na história do pensamento humano. Seus ideais retratam posturas de alguém que, a despeito da “absurdidade da vida”, tem prazer por desfrutá-la plena e incessantemente não se permitindo abater pelas dificuldades que se levantam, mas, ao contrário, nelas encontrando forças para alcançar grandes objetivos. Nascido em 7 de dezembro de 1913 em Manclovi, na Argélia, Albert Camus desde cedo se deparou com situações que lhe ofereceram consciência real do mundo em que vivia. Seu pai, bretão, agricultor, foi morto durante a 1ª Grande Guerra Mundial em 1914. Sua mãe, argelina, desde então, trabalhou duramente para sustentar sua família. A infância de Camus deu-se no bairro popular de Belcourt, em Argel. Ali viveu sob condições simples inserido num círculo familiar que mais tarde marcou profundamente a sua obra. Contudo, foi sem preconceito ou vergonha que ele próprio descreveu este período: “Embora eu tenha nascido pobre, nasci sob um céu feliz, num ambiente natural onde alguém se sente em união, desalienado”.1 De fato, foram essas condições conflituosas que o fizeram “descobrir que o absurdo da existência somente poderia ser vencido por uma consciência lúcida e sem preconceitos... A miséria serviu-lhe como uma escola de descoberta do homem e da criação de novos valores que o ajudassem a construir um mundo novo”.2 René Char, citado por Barreto, expressou com precisão o sentimento da vida e da obra de Camus ao dizer que “aquele que vem ao mundo para nada modificar, não merece respeito e paciência”.3 De fato, sua vida e obra evidenciam o “espírito empreendedor” que o impulsionava à constante luta de “reconstruir sobre os escombros”. É o que afirma Barreto ao dizer que “a primeira mensagem que Camus nos transmite em sua obra é a de como retirar das situações mais negativas da vida a lição e a razão para modificá-las”.4 Com o tempo, o garoto pobre de Belcourt tornou-se importante ensaísta, novelista, dramaturgo, filósofo e escritor, tendo dedicado sua vida, ao lado de outras ilustres personagens de sua época, a repensar os valores apresentados e impostos por uma sociedade que pouco se importava com a dignidade humana. O início de sua "escalada" deu-se quando, na escola primária, deparou-se com um professor que se interessara por ele conseguindo-lhe uma bolsa de estudos no Ginásio de Argel, tendo aí descoberto duas grandes paixões em sua vida: a literatura e o futebol, neste exercendo a função de goleiro. Mais tarde formou-se em Filosofia pela Universidade da Argélia. Cedo escreveu seus primeiros artigos na revista Sur e, sob influência do poeta e ensaísta Greiner, seu professor, a quem dedicou seu primeiro livro ("O Avesso e o Direito", e também "O Homem Revoltado"), descobre sua vocação de escritor e a linha sistemática de pensamento que seguiria. Na historiografia filosófica e nos dicionários, Camus é classificado usualmente como um filósofo existencialista, embora tenha ele próprio negado esse título afirmando: "Não, não sou existencialista... e o único livro de idéias que eu publiquei” Le Mythe de Sisiph “(O Mito de Sísifo), foi contra os filósofos chamados existencialistas".5 Seu pensamento filosófico é firmado sobre dois pilares principais: o conceito do absurdo e o da revolta. A sua definição de "absurdo" diz respeito ao confrontamento da irracionalidade do mundo com o desejo de clareza e racionalidade que se encontra no homem. Quanto ao conceito da revolta, está ele vinculado, em última análise, à busca inconsciente de uma moral. Nas palavras de Camus, "ela é um aperfeiçoamento do homem, ainda que cego". Para se compreender o pensamento e a vida de Camus, é preciso inseri-lo em seu contexto histórico, pois, sua filosofia foi fruto de uma realidade e necessidade latente do ambiente em que viveu. Neste contexto, tomou-se corpo e forma um movimento literário que deixou sua marca pela expressividade e participação na vida das pessoas, procurando ele atender os grandes questionamentos que aí eram levantados. Quanto à relevância de sua obra para a época em que viveu, Barreto diz que "Camus escreveu uma obra imersa no real e no concreto".6 Sua geração presenciou alguns acontecimentos capitais na história da humanidade. Entre eles:
A I Guerra Mundial, a depressão econômico-financeira de 1929, os expurgos dos processos de Moscou em 1936, a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), a defecção da democracia liberal-burguesa diante de Hitler em Munique (1938), os massacres e destruição de populações inteiras na II Guerra Mundial, culminando as suas experiências históricas com a destruição cientificamente controlada de Hiroshima e Nagasaki. Todos esses acontecimentos viriam alterar fundamentalmente a vida e a obra de toda uma geração.7
Diante destes fatos, o ideal da literatura romântica do séc. XIX quanto à natureza essencialmente boa do ser humano e a idéia de que o progresso traria necessariamente a felicidade para a humanidade, cedia lugar a um pessimismo histórico e à crescente desvalorização destes conceitos. Os pensadores do início do séc. XX começaram por questionar alguns valores sociais impostos e a retratar a disparidade existente entre estes discursos e a prática que então se exercia. A realidade dura do cotidiano que experienciavam passou a ser descrita cruamente em suas obras visando proporcionar consciência real sobre a realidade que se encerrava. Este novo movimento "não se constituiu propriamente numa escola literária ou filosófica, mas no sentimento comum de que viviam uma época contraditória e irreconciliável” · tendo representado para cada um dos autores que surgiam diferentes realidades. Alguns protagonistas da literatura desta época que, junto com Camus, se despontaram foram: Malraux, Sartre, Grahan Greene, Hemingway, etc. Segundo Barreto, três são as características desta nova literatura9: a) a eliminação das tradicionais diferenças entre o bem e o mal, entre o certo e o errado; b) fidelidade aos fatos, devendo-se refletir a vida concreta e absurda do homem; c) ênfase na responsabilidade humana. Este ideal na vida de Camus traduziu-se em engajamento prático de ação. Filiou-se à militância antifascista contra o governo de Hitleriano participando das atividades do Partido Comunista. Aí foi encarregado quanto à propaganda entre os muçulmanos e sob esta ligação, mais tarde, dirigiu a Casa de Cultura em Argel. Nesta mesma cidade fundou o "Théâtre du Travail" com o intuito de elevar o nível intelectual das pessoas oferecendo-lhes atividades orientadas por considerações políticas e sociais. Também neste mesmo período exerceu outras funções profissionais como: funcionário do serviço de meteorologia, vendedor de acessórios de automóveis, empregado no escritório de um corretor marítimo e funcionário da prefeitura. Ainda no Partido Comunista, que representava a força com que os intelectuais contrários ao regime de Hitler podiam contar, dedicou-se a organizar conferências, debates e mesas-redondas com intelectuais antifascistas. Quando diplomado em Filosofia, escreveu uma tese sobre as relações entre o Helenismo e o Cristianismo através de Plotino e Agostinho, iniciando aí suas primeiras preocupações filosóficas. Nesta mesma época, por motivos financeiros, começou a trabalhar também como ator no grupo teatral da Rádio Argel percorrendo por várias cidades do interior argeliano. Após isso, trabalhou ainda no jornal "Alger Republicain", de onde saiu em maio de 1937 por motivos de saúde. Próximo à II Guerra Mundial rompeu ele com o Partido Comunista; com isso ocorreu a conseqüente dissolução do "Théâtre du Travail" cujo nome passou a ser "Théâtre de L'Equipe", que a partir de então mudou seu enfoque de ação, tornando-se mais "neutro" enquanto movimento de resistência. É nesta época que acontece o primeiro contato entre Albert Camus e Jean P. Sartre. A amizade entre eles foi marcada por fortes momentos de aproximação e distanciamento. Mas, é a partir deste período que Camus inicia seu mais importante de publicações. Em 1940 terminou o romance "O Estrangeiro", começando logo após a escrever "O Mito de Sísifo", terminado em fevereiro, preparando logo em seguida a obra "A Peste" por influência de Moby Dick de Herman Melville. Sua vida em face da guerra sofreu grandes alterações. Em virtude do fechamento do jornal em que trabalhava pela imposição da censura, mudou-se para Paris, tendo aí trabalhado no "Paris-Soir". Contudo, após a ocupação nazista, refugiou-se em Clermont. Veio então o engajamento no movimento clandestino de resistência; o seu principal papel nesta missão foi o de jornalista, profissão esta que o obrigou a participar ativamente dos acontecimentos políticos. Em 24 de agosto de 1944 o jornal de resistência "Combat", do qual Camus era editor, publicou seu primeiro número. Neste mesmo ano foram encenadas as suas peças "O Mal Entendido" e "Calígula", termina a escrita de "A Peste", obra publicada no final de 1947. No ano seguinte a sua peça "L'Etat de Siege" representou grande fracasso de bilheteria. No período pós-guerra iniciou-se o movimento de reconstrução do mundo. Intelectuais como Sartre, Malraux, Koestler, Manés Sperber e Camus formaram um grupo que discutia novos caminhos para o desafio da construção de uma sociedade democrática. Este caminho para Camus seria feito através do estabelecimento de alguns valores morais que viessem diferenciar a sociedade democrática da totalitária. Em 1947, quando por motivos políticos e financeiros o jornal "Combat" saiu de circulação, Camus passou a intercalar a sua vida literária com participações em movimentos de protestos tendo participado ativamente a favor dos gregos condenados à morte. Em 1951 é publicado o livro "O Homem Revoltado" que deu a Camus maior projeção no debate político. Contudo, sua repercussão entre os críticos da revista “Os Tempos Modernos”, dirigida por Sartre, que promovia violentos debates entre comunistas e progressistas, não foi a melhor. Nesse ambiente se inicia a desavença entre estas personagens. Sartre mantinha uma atitude de “colaboração crítica” com o stalinismo já, Camus, considerava que qualquer tipo de colaboração com o stalinismo era impossível. Após a publicação da crítica feita por Francis Jeason em “Os Tempos Modernos” quanto ao “O Homem Revoltado”, deu-se a ruptura definitiva entre Sartre e Camus; suas concepções de filosofia de vida para a construção da almejada sociedade democrática mostravam-se distanciadas em suas práticas de ação. Entre os anos 1955 e 1960 Camus participou de movimentos diversos. Publicou o livro “La Chute” obtendo grande sucesso com a tradução e adaptação do “Requiem Para uma Freira” de Faulkner. Os contos que constituem o livro “L´Exil et el Royaume” foram publicados em março de 1957 seguidos dois meses depois por “Reflexions sur a Guilhotina”. Em 1957 recebeu o prêmio Nobel de Literatura. Nos anos 1958 e 1959 recomeça a trabalhar no inacabado romance “Le Premier Homme”. No dia 4 de julho de 1960 regressando à Paris morreu em um desastre de automóvel dirigido pelo seu amigo. Susan Sontag assim definiu a morte de Camus: “Kafka desperta piedade e terror, Joyce admiração, Proust e Gide respeito, mas nenhum escritor moderno que eu me lembre, exceto Camus, despertou amor. Sua morte em 1960 significou ao mundo, uma perda pessoal”.10
2) ALBERT CAMUS, SUAS OBRAS...
Albert Camus presenciou em seu tempo o fracasso do progresso, da liberdade, da ciência, da democracia. Isto influenciou suas obras que foram muitas e variadas que vão desde romances, passando por peças de teatro e artigos em revistas e jornais.
Três características podem ser observadas em suas obras: A vida humana é fundamentada em incoerência, confusa, sem as diferenças tradicionais entre o bem e o mal, o certo e o errado. Em segundo lugar pode-se observar a fidelidade dos fatos, refletir a vida absurda e concreta do homem. E por fim, a ênfase na responsabilidade humana.
Para se compreender melhor, de uma maneira geral sobre as obras de Camus, Barreto afirma:
“A obra de Albert Camus insere-se neste mundo. Seus personagens partem em busca de um mundo novo, formado por valores novos, criados pela absurda experiência humana. Talvez um dos pontos mais interessantes da personalidade de Camus tenha sido essa dependência entre a obra e a vida do escritor. A sua vida intelectual nasce de suas primeiras experiências, sentindo-se em algumas de suas obras, principalmente nas primeiras, a necessidade de escrever aquilo que realmente estava sendo vivido e pensado. Todas as categorias intelectuais progressivamente definidas por Camus, sendo as duas mais importantes o absurdo e a revolta, foram elaboradas em conseqüência das experiências que ia acumulando. Dele não se pode dizer que foi um escritor com um universo independente e próprio. Tendo uma alta capacidade criadora ele escreveu uma obra imersa no real e no concreto”.1
Exemplo de que em suas obras constava muito de sua própria experiência, cita-se sua primeira obra escrita em 1935, com 22 anos de idade, “L’Envers et l’Endroit” (O Avesso e o Direito), em que ele descreve o ambiente em que viveu o primeiro ano de sua vida. Esta autobiografia, a exemplo de outras, é recheada de recordações.
Em 1940 O Estrangeiro fica pronto. Nesta obra Camus apresenta Meursault, um escriturário de Argel que viaja até uma cidade próxima para enterrar sua mãe, sem chorar no enterro, demonstrando ser um tanto insensível. Meursault mata um árabe, é preso. Até então esta personagem tem a característica de uma pessoa despreocupada na vida, sem aspirações com o futuro, aceitando a vida conforme ela é. Através de um grande choque em sua vida, ser condenado à morte, desperta em Meursault a descoberta da beleza da vida, modificando assim sua postura, fazendo nascer dentro de si uma revolta.
Outra obra de destaque de Camus é A peste, em que representa a vida coletiva que O Estrangeiro é para a vida individual. Da mesma forma que Meursault descobriu a beleza da vida através de um grande choque, toda uma cidade será despertada para a consciência quando se encontrar isolada nos negócios e no hábito, devido a uma epidemia de peste inteiramente imaginária. “A Peste é um livro de humanista que se recusa a aceitar a injustiça do universo”.2
O Mito de Sísifo tinha sido publicado em 1943, um ano depois de O Estrangeiro e continha a essências das mesmas idéias que este. Este mito é uma imagem da vida humana onde os deuses tinham condenado Sísifo a rolar interminavelmente um rochedo montanha acima, até o alto de onde a pedra tornava a cair por si mesma, tornando assim o seu trabalho inútil e sem esperança. Tomar consciência da inutilidade de tantos sofrimentos é descobrir o absurdo da condição humana.
Outra obra de destaque é “O Homem Revoltado consagra a visão camusiana por excelência; o valor precede ação. A ação justifica, porém, a revolta. No pensamento historicista e existencialista, o valor aparece no final como consumação da ação”.3 Nesta obra, Camus “examinará dois séculos de revolta, fazendo uma história das ideologias e das mentalidades européias”.4
As obras de Camus são observadas também no teatro. Calígula é o homem que descobre o absurdo do mundo pela morte de sua irmã Drusilla, não sendo ele um louco, mas uma crônica dos tempos atuais. O Mal-entendido (peça friamente recebida), conta à história de uma mãe e sua filha, as quais vivem em uma mansão isolada na Morávia, e matam os viajantes que recebem. A Mãe se cansa de tantas mortes e a filha está revoltada com o seu destino, que é o de viver naquele lugar de solidão e sem amor. Passa mais um viajante que, sem ser reconhecido, é morto por elas. Mexendo no meio de seus documentos, elas descobrem que ele era o irmão e o filho que há muito tempo partiu. Estas duas peças são consideradas como teatro absurdo. Os justos (uma peça carnal, emocionante) de origem em um episódio verdadeiro do terrorismo russo em 1905, que relata o conflito entre o revolucionário absoluto que não recua diante de injustiça alguma para fazer triunfar a causa, e o revolucionário que mantém o respeito dos limites morais. O Estado de Sítio (uma peça-demonstração) que é A Peste esquematizada para o palco com a ajuda de Jean Louis Barrault aparece “debilitada pela falta de equilíbrio entre ação dramática e suporte mitológico”.5 Esta peça é apresentada e fracassa.
Muitas outras obras de sua autoria: Revolta em Astúrias (redigida para teatro), resenha crítica em Alger Republicain, funda com outros intelectuais a revista Rivages, publica Núpcias e Inquérito em Cabilia (como jornalista), redige boletins clandestinos para o grupo. Combata (mais tarde sai da clandestinidade dando o nome a um jornal), Carta a um Amigo Alemão (Primeira e Segunda), escreve artigos da série Nem vítimas nem verdugos, redige os contos de O Exílio e o Reino, escreve O Verão (continuação de Núpcias), publica A Queda e Reflexões sobre a Guilhotina (esta última, junto com Koestler), e como última obra de sua vida, a projeção de um romance intitulado de: O Primeiro Homem.
3) PRINCIPAIS PENSAMENTOS DE CAMUS
Segundo Cláudio Carvalhaes, absurdo é “aquilo que acontece, mas não poderia acontecer. É o impossível que se torna realidade. É o não aceitável que, embora acontecido, continua como inaceitável”.
Para “capturar o sentimento do absurdo” (expressão usada por Camus), o ser precisa invocar outros sentimentos. Esses sentimentos variam do desconforto ao pessimismo até a angustia e o desespero.
Camus sofreu, neste sentido, uma forte influ6encia do filósofo Nietzsche. Os seus pensamentos caminham lado a lado com os do seu filósofo preferido. Albert possuía um profundo amor pela vida, fato este que o tornava extremamente ciumento e invejoso. Por essa razão sua filosofia de vida era buscar nessa vida o máximo de prazer e alegria, pois esse sim era o grande desafio para o ser humano, e não esperar essa recompensa numa vida vindoura.
Para Camus, a felicidade era medida pelo prazer sentido pelo corpo, fato notadamente destacado em sua obra “Bodas em Tipasa”. Aqui se observa que segundo ele, quanto mais a vida lhe valer, maior será o absurdo trazido por ela. Assim sendo felicidade e absurdo vivem em parceria, e um pertence ao outro.
Quanto mais o homem buscar a vida, mais se deparará com o absurdo. O cultivo desse sentimento pela vida e sua trágica experi6encia com a morte acidental de sua noiva, levaram Camus, ao escrever sua obra “O Avesso e o Direito”, declarar seu inconformismo em “face da impotência humana contra a morte, a velhice e a escuridão”.
Essa noção de absurdo seguida por ele, foi na verdade o motor que o impulsionou a adentrar no tema que seria o seu campo de questionamento pelo resto de sua breve vida, a revolta.
Discutindo ainda, porém a questão do absurdo verá que faltou a Albert Camus trabalhar uma definição mais clara sobre o como ele realmente entendia o absurdo. Para ele o absurdo era um “abismo sem fim, colocado diante do ser humano". Para se entender a intensidade do absurdo seria preciso pular neste, para desta maneira explorar sua existência. Carvalhaes traça aqui um paradoxo dizendo que “o absurdo era o vazio de onde Camus tirava o sentido para preencher sua vida”.
Como citado anteriormente, ouve uma mudança no pensamento de Camus, na qual vê-se uma transição do absurdo para a revolta. Não que o filósofo tenha abandonado o absurdo, pelo contrário, ele o via como um estágio de mudanças do pensamento.
Assim Camus era um homem revoltado que não se sentia bem com a situação absurda dos acontecimentos da vida. Para ele o homem revoltado era aquele que descobriu a maneira frágil e perecível com a qual sua vida se depara. Por essa razão ele era um forte opositor a degradação do ser humano. A obra de Albert gira em torno dos acontecimentos de sua própria vida, e nela podemos ver suas limitações, suas angustias e a maneira subjetiva como levava sua vida, mesmo com todas essas barreiras, ele foi alguém que acreditava na vida, e sentia profundo respeito pela vida humana. Esse conjunto de fatores faz com que o estudo de sua obra e pensamento se torne algo interessante e prazeroso.
4) CONCEITO DE DEUS EM CAMUS[1]
Camus vai recusar a idéia de Deus, ele diz não aceitar a noção de um Deus cuja existência não teria nenhum assento na realidade sensível. Ele não faz nenhuma concessão a esse Deus que não intervém no problema do mal. Do problema do mal nasce o silêncio de Deus, e esse silêncio se moldará a noção dessa divindade. Camus não aceita que o assassinato de Abel não fosse impedido por Deus. Para ele, se Deus permite tudo, ele é responsável por tudo. Pior ainda, foi o próprio Deus que insuflou o homicídio no coração de Caim. Para Camus Deus é: “Uma divindade cruel e caprichosa, aquela que prefere, sem motivo convincente, o sacrifício de Abel àquele de Caim e que, por isso, provoca o primeiro assassinato”. Por isso, Camus não vai aceitar um Deus arbitrário em suas decisões.Camus tira a razão de Deus por motivos morais. Ele recusa duplamente a fé como recusa a injustiça e o privilégio. Deus, para Camus é visto como o pai da morte e o supremo escândalo. Mais tarde, Camus amenizará seu tom na denúncia de Deus, mas não deixará de fazê-la. O ser humano não é mais inocente e Deus não é mais o culpado de tudo. Ele temperará o arbítrio divino com o arbítrio humano, a criminosidade divina com a criminosidade humana. Mesmo assim, ele não deixará de ver o mal como um escândalo e Deus, com seu mutismo, longe e indiferente a tudo. Até o fim Camus se pergunta, porque Deus permite tudo? Porque ele permite que neste mundo crianças tenham fome, sofram e morram? Chavanes conta um episódio da sua vida. Em 1959, alguns meses antes de sua morte, Camus declarou ao pastor de Lourmarin e à sua esposa: Vocês os crentes, vocês são eleitos, é por isso que eu estarei sempre do lado dos outros. A esposa do pastor lhe respondeu: Os homens, muito freqüentemente, são decepcionantes, apenas Deus não o é. Após um instante de silêncio, Camus lhe perguntou: Você está segura disto?
O problema do mal será questão central em todo o pensamento de Camus. De um deus considerado horroroso no Antigo Testamento, Camus verá como frustra a tentativa de eliminação do mal pelo cristianismo, pois este se mostrou uma religião que aceita paradoxalmente o assassinato de um inocente, Cristo. Camus fará um jogo contrário à doutrina cristã entre o Jesus divino e o Jesus humano dizendo que enquanto Jesus era visto como Deus, seu sofrimento na sua morte era a justificação do mal no mundo. Por isso sua aproximação com Marcião. Diz ele: só o sacrifício de um deus inocente poderia justificar a longa e universal tortura da inocência.Só o sofrimento de Deus, e o sofrimento mais desgraçado, podia aliviar a agonia dos homens. Se tudo mais, exceção, do céu a terra, está entregue à dor, uma estranha felicidade então é possível. Entretanto, Camus irá dizer que quando da critica da razão, o Jesus divino descoberto como homem e a medida em que a divindade do Cristo foi negada, a dor voltou a ser o quinhão dos homens, Jesus frustrado é apenas um inocente a mais, que, os representantes do Deus de Abraão torturaram de maneira espetacular. Esse falseamento da suficiência cristã para o problema do pecado ficou encoberta até o século XVIII. A partir daí se de um lado Camus diz que o pensamento libertino abriu espaço para a grande ofensiva contra o céu inimigo, para aqueles que descobriram e queriam se rebelar contra o mal que os assolava com suas próprias forças, mas que não podiam uma vez que a religião os vedava, de outro lado, os cristãos teimosos e cegos fizeram da história o ligar para resolver o problema do mal. Como diz Hanna: Mas se a perda do Cristo trouxe aos homens à face do mal, isso deixa os homens no mesmo estado de espírito de antes, porque eles sabem agora que a história é sua justificação, e está em suas mãos realizar a promessa que a história contém.
Camus achava a palavra salvação demasiado grande, não há e nem mesmo é necessário salvação para o ser humano. Camus fala outro não, e desta vez é ao sobrenatural, pois não precisava dele, sabe de sua responsabilidade e dever sobre seu próprio destino, sabe da força e fraqueza que o habitam e não aceita qualquer interferência externa sobre o que diz respeito somente a ele. Para Camus a salvação não existe, ele afastou veementes as soluções fáceis propostas como remédios ao terror inspirado pela morte, seu campo vivencial é o mundo e liga-se a si mesmo no mundo e faz dele o seu reino. Camus amava mais a natureza do que a história. Acusou o cristianismo de dar lugar e valor privilegiado à história eliminando a relação de contemplação com a natureza mudando o seu eixo para um relacionamento de sujeição. A natureza é, para Camus, o lugar do prazer do corpo. Ela é sua mediação com o sagrado.
A revolta é a atualização da vida, não se tem mais deus e tudo o que se tem é a vida dada gratuitamente e sem explicação. Nesta vida, é preciso se revoltar, pois pela revolta acabamos por nos conduzir num mundo perdido e com valores que mantenham ou mesmo animem nossa dignidade. A revolta é capaz de nos fazer transcender, a única transcendência de que Camus faz conta e é luta contra o absurdo, a única capaz de reivindicar clareza e ordem num universo que parece pouco razoável. A grandeza da revolta contra todo ataque à dignidade humano reside igualmente na afirmação implícita da transcendência do espírito humano, o único capaz de julgar em nome de uma justiça que somente ele pode conceber.
1 CAMUS, Albert; citado por: Material internet. 2 BARRETO, Vicente. Camus: vida e obra. 2 ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 19, p. 14 (grifo meu). 3 CHAR, René citado por BARRETO, op. Cit. P. 209 4 BARRETO, op. Cit. P. 14 5 BARRETO, op. cit, p. 20-21. 6 Ibidem. p. 14 7 Ibidem. p. 10 9 Ibidem. p. 12-13 1 BARRETO, Vicente. Camus, vida e obra. 2ª. Ed., Paz e Terra. p. 13-14. 2 MOUROIS, André. De Proust a Camus, vida e obra dos maiores escritores franceses do século XX. Rio de Janeiro, Editora Nova fronteira, 1965. p. 371. 3 GONZÁLEZ, Horácio. Albert Camus – a libertinagem do sol. São Paulo, Editora Brasiliense, 1982. p. 77. 4 Idem. 5 Idem. [1] CARVALHAES, Cláudio. Albert Camus e o Cristianismo. São Bernardo do Campo, UMESP, 1997. Deus 3JEAN-PAUL SARTRE
VIDA
Uma figura sardenta, esquisita e cuja vesguice se postava atrás de um pesado par de óculos. Assim poderia ser descrita a aparência de uma das mentes mais brilhantes e mais populares do século vinte. Jean-Paul Sartre, nasceu em berço burguês, a 21 de junho de 1905, na cidade de Paris, um ano antes da morte de seu pai, um jovem oficial da marinha, que morreu vitimado por uma febre. Segundo o próprio Sartre, fora esse o maior acontecimento de sua vida " Se tivesse vivido, meu pai teria desmoronado sobre mim e me esmagado"[i]. O filósofo afirmava que graças à ausência da figura paterna, crescera sem superego, portanto livre de agressividade ou desejo de dominação. Parece que sua primeira infância foi um período feliz, em que desfrutou do carinho dos avós maternos, em cuja residência ele e sua mãe foram morar, e do companheirismo materno, que tornava a relação de ambos mais próxima à de irmãos, do que de uma relação entre mãe e filho. A figura do avô materno, ou a de seu futuro padrasto, não marcariam a sua vida tanto quanto a figura materna, que se perpetuaria na figura de Simone de Beauvoir, sua companheira de toda a vida. Para sua mãe produziria uma infinidade de histórias de capa e espada, já a partir dos dez anos de idade, quando sua genialidade passou a ser percebida. Quando tinha doze anos de idade, sua mãe se casa com Joseph Mancy, para horror de Sartre, que deixaria de ser o foco das atenções de Anne-Marie. O padrasto representaria para Sartre, uma espécie de tipo ideal de representação tanto do padrasto malvado, quanto da burguesia que tanto enojaria Jean-Paul Sartre. A personalidade do pequeno Sartre foi aos poucos se caracterizando por uma inteligência aguda e um egoísmo de tal resistência que o conduziria a uma total independência mental. Viveu a adolescência própria dos meninos prodígio, feio e com "cara-de-sapo", era ao mesmo tempo "gênio e bode expiatório da turma"[ii] e alvo constante das chacotas e maldades típicas da adolescência. Mas, ao que consta não se tratava de nenhum anjinho. Sartre possuía, nesse período, uma vocação especial para cometer asneiras - da divulgação de aventuras sexuais fictícias aos constantes assaltos à bolsa materna, com o intuito de financiar a aceitação dos colegas à custa de doces e da freqüência aos cafés da provinciana La Rochelle. Uma vez descobertos os delitos domésticos, a tensão em casa do padrasto chegou a tal ponto, que Sartre decidiu voltar a Paris. Com 15 anos nessa época, torna-se aluno interno do Liceu Henrique IV. Nessa época aflorou em Sartre o gosto pela leitura, que em geral estava acima tanto de sua capacidade psicológica quanto intelectual. Afloram também os seus escritos, inúmeros cadernos contendo novelas, aforismos e especulação filosófica, numa "excessiva elaboração de idéias pouco claras"[iii]. Aos 19 anos, aprovado no exame do ensino secundário, Sartre garante sua vaga no curso de filosofia da Escola Normal Superior. Entre os seus contemporâneos Maurice Merleau-Ponty, Claude Lévi-Strauss, Simone Weil e Simone de Beauvoir. Este ambiente foi a estufa de sua genialidade. Segundo Simone de Beauvoir "a não ser quando está dormindo, ele pensa o tempo todo"[iv]. Em seu cinismo e falta de modéstia chega a afirmar de si: "Eu era mil Sócrates"[v]. Seu intelecto o torna atraente para mocinhas iludidas, o lhe permite superar a feiúra notória e prosseguir como um bonvivent, insaciável em sua fome de conquistas sexuais e em sua sede de cerveja, só superadas por sua gana por livros e conhecimento. "Ele lia tudo, exceto o que era necessário para o curso que fazia"[vi], o que lhe atrasou em um ano a graduação, embora esse fato não ofuscasse seu brilho. Nesta fase Sartre renunciou a hábitos burgueses como o de tomar banho e passou a fumar cachimbo, era visto nos cafés do Quartier Latin em animadas rodas de discussão filosófica, da qual não ousaria se aproximar quem não possuísse algo realmente inteligente a dizer. Nota honrosa é creditada à jovem Simone de Beauvoir, com 21 anos à época e que logo provou garantir-se em meio àqueles jovens filósofos. Em Simone de Beauvoir, Sartre recuperou a figura irmã-mãe de sua infância. Os dois logo se tornaram amantes, desenvolvendo uma relação que envolvia reciprocidade de críticas agudas e profundas, bem como de conselhos práticos. Ele se torna seu guru intelectual e (péssimo) conselheiro de moda, ao passo que ela o convence a tomar banho, trocar de camisa e passar pomada nas espinhas, enquanto o demole com críticas penetrantes e honestas. Estes primeiros tempos dariam pistas de que esse relacionamento seria duradouro. Os amantes passam então a estudar, ler e discutir. Quando chega a época dos exames de graduação, o primeiro lugar é ocupado por Sartre, seguido por Simone de Beauvoir e pelo restante da futura geração de intelectuais franceses. Após o período de estudos os dois intelectuais têm que enfrentar a vida real. Simone de Beauvoir passa a lecionar e Jean-Paul Sartre presta serviço militar. A relação dos dois é definida em termos de liberdade e transparência. Sartre definiria a relação em termos kantianos, inspirando-se na distinção entre verdade necessária e verdade contingente. Segundo ele, sua relação com Simone seria necessária, ao passo que os romances com outras mulheres seria contingente. O pacto relacional incluía lealdade absoluta de um para com o outro: contariam tudo que lhes acontecesse, inclusive os casos contingentes. Este tipo de relacionamento na Europa dos anos 20, certamente foi motivo de escândalo, pois Simone e Sartre saíram audaciosamente da privacidade, se constituindo uma inspiração para intelectuais de décadas seguinte. Durante os dezoito meses em que Sartre serviu ao exército, os dois se encontravam aos finais de semana, quando discutiam seus pensamentos. Sartre seguiu destruindo tudo que se conhecia em termos de filosofia, até então. Descartes estava errado, Kant era inadequado, Hegel não passava de um burguês. Chegou a fascinar-se por Freud, mas logo reagiu, reivindicando a autonomia da mente negada pela psicanálise. Em face da fenomenologia de Husserl, finalmente Sartre julga encontrar uma filosofia do sujeito, que daria conta da realidade, levando em conta a liberdade do indivíduo. Em 1933 parte para Berlim, afim de estudar a filosofia que ele chamaria informalmente de existencialismo. A origem do termo remontava a SÆren Kierkgaard, filósofo dinamarquês do século XIX, que afirmava ser o "indivíduo existente" a única base para uma filosofia significativa. Ele sustentava que deveríamos nos sustentar na especificidade da experiência e na sua natureza essencialmente individual, afim de percebermos nossa verdadeira liberdade. Em 1934, de volta a Paris, Sartre começa a redigir suas investigações fenomenológicas e, persuadido por Beauvoir, transforma suas anotações no romance que viria a se transformar em A Náusea (publicado em 1938) um romance filosófico, nem abstrato, nem didático, que visa evocar a própria sensação da existência - um mergulho na consciência. De fato, A Náusea e O Muro (coletânea de contos, lançados no mesmo ano) seriam recebidos com aclamação crítica, transformando Sartre na mais promissora figura literária da Rive Gauche. Em 1939 publica O esboço de uma teoria das emoções, que aumenta seu prestígio intelectual, embora não tenha sido recebida com tanto entusiasmo. Esse período coincide com a iminência da Segunda Guerra, sobre a qual Sartre afirmava se tratar de "um blefe de Adolf Hitler"[vii]. Por haver estado em Berlim, afirmava conhecer o estado de espírito do povo alemão, duvidava que Hitler entrasse em guerra. Vinte e quatro horas depois, Hitler invadiria a Polônia e Sartre seria convocado pelo exército francês. "A Guerra dividiu a minha vida em duas"[viii], afirmaria um Sartre que teve toda a sua percepção transformada pelo evento da guerra. Curiosamente enquanto servia ao exército francês numa estação meteorológica, dedicava-se à leitura de Heidegger. A impenetrável metafísica do alemão absorveu Sartre completamente, pois ele visava escrever uma obra de filosofia realmente grande. Sob a luz (ou trevas?) da guerra, o pensamento existencialista de Sartre evoluiu rapidamente. Lançando suas raízes tanto para o empirismo de Hume, quanto para o racionalismo de Descartes, mostrando todas as suas implicações. Desenvolve com radicalidade o conceito da liberdade humana, ante o absurdo. O existencialismo mergulha a filosofia na ação, tornando-se quase uma estratégia de vida. Quando Sartre se torna prisioneiro do exército alemão, prossegue com seu programa de leituras de Heidegger, em sua terra natal. Ele possuía a chave que levaria o existencialismo a dar o passo seguinte à Fenomenologia de Husserl. A noção da certeza última firmada no daisen (ser-aí) e não no conhecimento, expressa em sua obra "Ser e Tempo", possui conceitos até hoje indecifráveis, cheios de seriedade e profundamente germânicos. Sartre compreendeu que a profunda análise heideggeriana do ser deveria se desviar do pensamento para a ação, retorna a Kierkgaard e à Paris. Sua libertação se dá por motivos humanitários e graças a um atestado médico falso que conseguira comprar. Em 1941, na triste Paris ocupada pelos nazistas, Sartre recupera seu emprego de professor, aluga um apartamento próximo ao de Beauvoir e se põe a escrever sua obra-prima "O Ser e o Nada", publicada em 1943.A obra causou grande impacto nos círculos filosóficos da França, varrendo os cafés do Quartier Latin e a Rive Gauche, popularizando os lemas niilistas do existencialismo. Quando a guerra termina, em 1945, o cenário de uma Europa destruída, se torna o pano de fundo propício à compreensão da filosofia existencialista, pois ela falava daquela situação absurda na linguagem do momento. A França, humilhada e carente de heróis, elegeu Sartre o ícone de sua resistência cultural. Chegou mesmo a escrever um livro que explicasse o existencialismo em termos mais acessíveis( O existencialismo é um humanismo - 1946), em razão da demanda popular. O existencialismo e Sartre se tornaram então, produto francês, tipo exportação. Ambos alcançaram fama em toda a parte. Mas Sartre não se vendeu aos conceitos burgueses de fama e sucesso. Fazia questão de ser imprevisível. Escrevia, escrevia e escrevia, chegando a apelar para a "vida química", que lhe proporcionava a comodidade de manter-se ligado, e desligar-se quando não houvesse mais forças. (Sartre precedeu a Aldous Huxley no uso da mescalina). Nesse caso Simone o levava de férias, ao tempo que Sartre entretinha alguma jovenzinha deslumbrada por seu intelecto. Seu pensamento continua em evolução. Entende que a liberdade do indivíduo, embora seja uma atitude sustentável em termos de filosofia, dificilmente seria plausível em termos sociais. Em O existencialismo é um humanismo, a compreensão sartriana da liberdade individual se estabelece em termos de responsabilidade social, de engajamento. Isso somado à sua natural antipatia pela burguesia, o aproximou do socialismo, embora ele não de admitisse marxista. Porém em 1952, Sartre torna-se marxista, afirmando que "o marxismo reabsorveu o homem na idéia, e o existencialismo o procura por toda parte onde ele esteja - no trabalho, em casa, na rua"[ix]. Não ingressou em nenhum partido, pois seu individualismo não o permitiria. Suas relações com o marxismo se delinearam teoricamente na obra Crítica à Razão Dialética(1960), refletindo em muito o historicismo marxista, cuja crítica determinista do desenvolvimento da civilização e a dialética o atraem intelectualmente. Em 1964 é agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, ao qual rejeitou, afirmando que "o escritor não se deve deixar transformar pelas instituições"[x]. Sua revista Les Tempes Modernes, tornou-se sua voz na França e no mundo, nela Sartre faz pronunciamentos sobre fatos contemporâneos. Os extremistas de direita queriam sua morte, a polícia sua prisão, mas ele tinha no general DeGaulle um aliado que afirmava ser Sartre um grande homem da história e ainda, que não se poderia "prender Voltaire". A década de 70 é marcada pelos problemas de saúde, preço que teve que pagar por sua opção de "vida química". Assistido de perto por Beauvoir e por um séquito de jovenzinhas existencialistas, Sartre ficava cada vez mais debilitado. Falece em 15 de abril de 1980, aos 74 anos. Seu enterro foi um acontecimento que atraiu quase 25 mil pessoas. O cortejo percorreu o Quartier Latin e a Rive Gauche, lugares marcantes de sua vida, onde produziu, viveu e de onde concebeu o pensamento que seria de toda uma geração. Movimentos radicais em todo o mundo inspiraram-se em seus escritos, embora suas leituras sobre os fatos continuassem mais como idéia do que como realidade. "Aí estava de fato, uma existência fútil num mundo absurdo".
OBRA[xi] (Nome da Obra - Data de publicação) Obras filosóficas: A Imaginação(1936) - A transcendência do Ego(1937) - O Imaginário(1940) - O Ser e o Nada(1943) - O existencialismo é um humanismo (1946) - Crítica da Razão Dialética(1960) - O idiota da família(1971) - Anotações para uma moral(1983) Ensaios: São Genet, comediante e mártir(1952) - Questão de método(1960) Romances e Contos: A náusea(1938) - O muro(1939) - A idade da razão(1945) - Sursis(1945) - Com a morte na alma(1949) Teatro: As moscas(1943) - Entre quatro paredes(1945) - Mortos sem sepultura(1946) - A prostituta respeitosa(1946) - As mãos sujas(1948) - O diabo e o bom Deus(1951) - Os seqüestrados de Altona(1960) Autobiográficas: As palavras(1964) - Diário de uma guerra estranha(1983)
A QUESTÃO DE DEUS EM SARTRE
Em entrevista dada a Simone de Beauvoir em agosto/setembro de 1974, Sartre é por ela perguntado acerca da vida além da morte, questionando o filósofo, se nunca houvera sido tocado por essa idéia ou pela idéia de um princípio espiritual inerente ao ser humano. Ao que ele responde "Parece-me que sim , mas como um fato quase natural (...) Todo o futuro que imaginamos na consciência remete à consciência".[xii] Toda a questão aparece permeada pelo primado da subjetividade, do ser que se estabelece no nada da consciência. Seu ateísmo nascera a partir de um insight precoce, ainda na adolescência. Segundo Sartre, suas relações com Deus, que nunca se estabeleceram na perspectiva de sujeição ou de compreensão, não passavam de relações de boa vizinhança. Chega a declarar sua presença num certo dia em que ateara fogo na casa, como um olhar que eventualmente pousara sobre ele. Por volta dos seus doze anos, na cidade de La Rochelle, envolvido em situações corriqueiras da infância, subitamente lhe ocorreu o pensamento de que Deus não existia. Sartre afirma não saber exatamente de onde surgira tal idéia ou como nele se instalara, mas o fato é que, a partir de então aquela pequena intuição o acompanharia, quase como uma certeza, "uma verdade que me surgira com evidência, sem nenhum pensamento prévio (...) um pensamento que intervém bruscamente, uma intuição que surge e determina a minha vida"[xiii]. Notável é também o fato de que um pensamento surgido aos onze anos o levasse a nunca mais perguntar acerca desta questão. Sua ida para Paris, segundo ele, fortificou a sua posição efetuando a transição de um ateísmo idealista para um ateísmo materialista, para ele, quando dizia, "Deus não existe", se desfazia de uma idéia que estava no mundo, colocando em seu lugar um nada espiritual, era uma grande idéia sintética que desaparecia e que levaria Sartre a um pensamento diferente acerca do mundo. Para ele, "a ausência de Deus era visível em todos os lugares"[xiv]. Pensar o seu próprio ser, no mundo e fora dele, e o mundo sem Deus, parecia a Sartre um empreendimento novo, já que não se encontrava, na época da Escola Normal, a par dos escritos ateus, e uma vez que "uma grande filosofia atéia, realmente atéia, não existia na filosofia. Era nessa direção que era preciso agora tentar trabalhar."[xv] Seu desejo era o de fazer uma filosofia do homem, num mundo material. O existencialismo ateu de Sartre é afirmado por ele como estrutural e parte de sua constituição cultural. O problema de Deus atravessa toda a obra de Sartre, contudo mais em nível intelectual e teórico do que em nível de vivência. O ateísmo Sartre é efetivamente difundido em sua obra "O Ser e o Nada", em outros escritos como "Anotações para uma Moral", existe uma forte filosofia atéia , orgânica e muito bem exposta. "Ainda na metade dos anos 70, Sartre dirá que L'être et le néant ("O Ser e o Nada") continha uma exposição das razões de sua rejeição à existência de Deus: mas não eram aquelas as razões autênticas de seu ateísmo. O seu ateísmo (...) fora uma intuição de seus doze anos e não podia ser reduzida a uma discussão de teses filosóficas sobre a impossibilidade da existência de Deus"[xvi]. Em A cerimônia do Adeus, Sartre apresenta Deus como um ser na direção do qual tende a realidade humana e que é ele mesmo o coração dessa realidade: Deus é a realidade humana como totalidade. Dessa nascente surge a idéia do nada espiritual, da idéia ausente. Influenciado por Feuerbach, Sartre afirma que "a alma humana é apenas o rastro imperfeito dos esse, nosse, velle perfeitos de Deus". Em suma, "o homem é o ser que projeta ser Deus"[xvii]. "Ser homem é tender a ser Deus: ou caso se prefira, o homem é fundamentalmente desejo de ser Deus"[xviii] A consciência é remetida não à inexistência de Deus, mas se ele pode ser realizado. Na verdade o ateísmo é uma relação com Deus, fruto de uma conversão filosófica, pois a própria crença em Deus é devida à condição humana e não aos condicionamentos histórico-sociais. Em acordo com Marx, Sartre afirma o sentimento religioso como um álibi e uma fuga da própria condição humana, pois para o homem existe sempre uma luta a travar contra a ilusão transcendental que é a relação com Deus. Invertendo o mito de Cristo, de um Deus que se sacrifica para que o homem viva, na verdade é o homem que perpetuamente se sacrifica em prol da existência de Deus. "Sacrifício inútil e prejudicial" [xix] O existencialismo de Sartre conduz ao desespero, pois nele o ser humano encontra-se sozinho, abandonado, independente. Em Anotações para uma Moral Deus é a categoria para todas as alienações, é a hipótese de objetivação do homem.
A Imaginação
Quando um objeto inerte é observado, sua forma, posição e cor podem ser percebidos, essa percepção revela uma existência passível de constatação que entretanto independe do observador para existir, é o que Sartre chama de a existência em si. Uma existência que se dá de forma alheia às minhas “espontaneidades conscientes” 20 ,trata-se de uma coisa, algo que não existe para si mesmo. Existir na posse da consciência da própria existência. Sartre no texto “A Imaginação” destaca a diferença entre a existência como coisa e a existência como imagem. Há coisas que ao observarmos já o fazemos com uma lente que nos mostra não o que a coisa é, mas o que dela temos em nossa consciência. A transformação da imagem de uma coisa na própria coisa é chamada de “metafísica ingênua da imagem”. Em suma, a obra “A Imaginação” discorre sobre o que é próprio da imaginação, o que faz parte de sua natureza e questiona o conceito de imagem. Apresenta as concepções de vários pensadores e psicólogos e conclui que imagem não é uma coisa mas um ato, ela trata-se da consciência de uma coisa e não da coisa em si mesma.
O Diabo e o Bom Deus
“(...) Supliquei, pedi um sinal, enviei mensagens ao Céu: nenhuma resposta. O Céu ignora até o meu nome. Eu me perguntava, a cada minuto, o que eu poderia ser aos olhos de Deus. Agora, já sei a resposta: nada. Deus não me vê, Deus não me ouve, Deus não me conhece. Vês este vazio sobre nossas cabeças? É Deus. Vês esta brecha na porta? É Deus. Vês este buraco na terra? É Deus ainda. A ausência é Deus. O silêncio é Deus. Deus é a solidão dos homens. Eu estava sozinho: sozinho, decidi o Mal; sozinho inventei o Bem. Fui eu quem trapaceou, eu quem fez milagres, eu quem se acusa, agora, eu, somente, quem pode absolver-me. Eu, o homem. Se Deus existe, o homem nada é; se o homem existe... para onde vais? 21 Nesta peça teatral Sartre utiliza-se do diálogo que traduz-se num meio deveras interessante da transmissão de uma mensagem que é ao mesmo tempo crítica e realista. O texto traz consigo uma estória que provavelmente se dá na Idade Média, Alemanha. Período esse marcado por uma presença forte da Igreja Cristã (Católica) principalmente do clero, de militares, de uma pequena população urbana, de uma boa quantidade de campesinos, de pobres, de meretrizes, de profetas, anjos, demônios e, logicamente do Diabo e do Bom Deus. É por demais fascinante a maneira com que Sartre desenvolve sua peça bem como a precisão e inteligência com que coloca as frases dos personagens. Numa epítome é possível tornar explícita a questão de Deus bem como do Bom Diabo, ou melhor, do Diabo, do Bem e do Mal, da seguinte forma: tanto Deus quanto o Diabo nesta peça são sinônimos do poder para matar, ordenar, amar, roubar, legitimar, vingar etc. Nobres, religiosos, militares, pobres, doentes, marginalizados enfim, todos procuram se apoderar de Deus, que é o Bem, para defenderem os seus interesses e legitimarem suas ações. Contudo seus intentos e atos, parece que na maioria das vezes, são carregados de anseios particulares com vistas ao benefício próprio. Benefícios esses que favorecem o detentor de Deus–Bem, porém são maléficos (Diabo–Mal) para todos aqueles que sofrem para que um se beneficie. Vê-se portanto que Deus e Diabo não passam de conceitos criados a fim de legitimar o poder de uma(s) pessoa(s) sobre a(s) outra(s). (Exemplos: O Exército X luta com o Exército W, os dois assim o fazem em nome e para a glória de Deus; Vende-se indulgências para que um se salve (que é algo Bom – Deus) não vá para o inferno (O Mal–Diabo) e assim continue a fazer o seu Mal–Diabo de cada dia com aval de Deus–Bem, e o outro enriqueça por intermédio da barganha (O Mal–O Diabo) porém salve uma pobre alma do Inferno (O Mal–O Diabo); As pessoas tornam-se profetas de Deus– Bem muita vez para sua própria honra, O Diabo–O Mal). Sendo assim, o ser humano seria incapaz de viver somente com o Bem–Deus ou somente com o Mal–Diabo, ambos são necessários. Destarte, há como entender que apenas a presença única do Diabo–O Mal ou de Deus–Bem seria algo muito monótono, então é necessário os dois existirem para que o ser humano caminhe e tenha em quem jogar a culpa por seus fracassos e êxitos.
O Existencialismo é um Humanismo.
Sartre defende o existencialismo contra os católicos afirmando que esta é uma doutrina que torna a vida humana possível graças a subjetividade humana. Sartre ainda especifica a diferenciação entre as duas escolas do existencialismo, a dos existencialistas cristãos Jaspers e Marcel e os ateus Heidegger e o próprio Sartre, afirma que a única coisa que une estas duas correntes é que a existência precede a essência. Ou se preferir é necessário partir da subjetividade. O existencialismo ateu afirma que, se Deus não existe há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito. Este ser é o homem ou melhor a realidade humana . Isto significa que , em primeira instância , o homem existe, surge no mundo e só posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada ; só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la . O homem é aquilo que ele mesmo faz de si, é a isto que chamamos de subjetividade. Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é de por todo o homem na posse do que ele é de submete-lo à responsabilidade total de sua existência. Ao afirmarmos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se escolhe, e também escolhe todos os homens. O existencialista, pensa que é extremamente incômodo que Deus não exista, pois, junto com ele, desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num céu inteligível; não pode mais existir nenhum bem a priori; já que não existe uma consciência infinita e perfeita para pensa-lo. Se Deus não existe, não encontramos, já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. Assim não teremos nem atras nem a frente nenhuma justificativa para nossa conduta . Estamos sós , sem desculpas. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo mas por estar livre no mundo estamos condenados a ser livres. O existencialista não pensara nunca, que o homem possa conseguir o auxilio de um sinal qualquer que o oriente no mundo, pois é o homem quem decifra os sinais.
[ii] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 13 [iii] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 17 [v] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 18 [vi] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 18 [vii] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 38 [viii] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 38 [ix] STRATHERN, Paul. Ibid., p. 64. [x] STRATHERN, Paul. Ibid., p.68 [xi] MOUTINHO, Luiz D. S. Sartre e o Existencialismo. São Paulo: Editora Moderna, etc. [xii] BEAUVOIR, Simone de. A Cerimônia do Adeus e Entrevistas com Jean-Paul Sartre (Agosto/Setembro 1974). Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1982. p. 564. [xiii] BEAUVOIR, Simone de. Ibid.. , p. 564. [xiv] BEAUVOIR, Simone de. Ibid.. , p. 566. [xv] BEAUVOIR, Simone de. Ibid.. , p. 567. [xvi] INVITTO, Giovani. Jean-Paul Sartre (1905-1980). "Deus não existe": a indemonstrabilidade de uma certeza. In: PENZO, G. & GIBELLINI, Rossino (org.). Deus na Filosofia do Século XX. São Paulo: Edições Loyola, 1993. p. 409-420. [xvii] INVITTO, Giovani. Ibid., p. 411 [xviii] INVITTO, Giovani. Ibid., p. 411-412. [xix] INVITTO, Giovani. Ibid., p. 412. 20 Sartre, Jean Paul. A Imaginação. São Paulo, Abril Cultural, 1978, p.35 ( Os pensadores) 22 Sartre, Jean Paul. O Diabo e o Bom Deus: três atos e onze quadros, São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1964, p. 222-223
SARTRE, Jean Paul. O Existencialismo é um Humanismo Deus 2Soren Aabye Kierkegaard, nasceu na capital dinamarquesa, Copenhague, em 1813. Foi o último dos filhos do casamento precipitado que Michael Pedersen Kierkegaard (viúvo e sem filhos) realizou com sua governanta Anne Srensdatter (respectivamente 56 e 44 anos na época do nascimento de Soren) uma vez que já era viúvo sem filhos. Kierkegaard teve um relacionamento muito difícil com seu pai, pois sua personalidade ficou marcada como a do filho da expiação. Vive com uma vocação de sacrifício e de mártir idealizada pelo pai.
Considerava-se pecador diante do olhar de Deus, apesar de sua educação ter sido baseada no princípio do amor e temor de Deus, assim mesmo sentia sobre si a responsabilidade dos pecados de seu pai. Vale mencionar que seu pai blasfemou contra Deus na sua infância. Mais tarde quando a família mudou-se para Copenhague, seu pai enriqueceu tornando-se um comerciante de lã, apesar da forte crise que assolava o país deixando muitos dinamarqueses na miséria.
Dois outros fatores marcaram profundamente a vida do filósofo: a morte de seus irmãos Mikael em 1819, e de sua irmã Maren Cristine em 1822. A fatalidade aumentou a angustia de seu pai que já era um homem marcado por um grande sentimento de culpa e deixou profundas cicatrizes em Kierkegaard.
Sua obra trás as marcas dos relacionamentos difíceis que teve com seu pai e com sua noiva Regina Olsen, com quem rompe um romântico noivado que durara aproximadamente um ano. Apesar de muito apaixonado afirma estar fazendo um grande bem à noiva: “... nosso rompimento é um profundo ato de amor...” Na verdade não havia nenhuma razão aparente para o rompimento. Entretanto, em suas notas ele menciona um “terrível acontecimento” que chamou também de o “grande tremor de terra”.
Após esta experiência traumática do noivado rompido, vem um grande período de profundidade literária. Não se pode deixar de mencionar que Kierkegaard escreve a partir de sua experiência pessoal. No transcurso de sua filosofia vão se agregando aspectos de sua existência. O filósofo vive momentos de profunda depressão, uma amargura sem limites. Porém, esta energia negativa, se transforma em inspiração para a produção literária que aborda tema diverso da existência humana.
II – A OBRA
Sua primeira obra é uma tese de Doutorado em Teologia defendida em setembro de 1841, onde escreve o conceito de ironia profundamente relacionada a Sócrates. Em 1843 escreve Enten, Eller (A alternativa), nesta obra é que se encontra o Diário de um sedutor. Neste mesmo ano publica Temor e Tremor. Obra que é considerada a mais profunda onde comenta a história de Abraão empenhado em sacrificar seu filho Isaac para obedecer à ordem de Deus. Ao mesmo tempo aparece Repetição, que trata do tempo e da felicidade. Em 1844 escreve As Migalhas Filosóficas, que trabalha o paradoxo da fé. Conceito de Angustia (1844), fala do pecado enquanto supõe o livre-arbítrio e a angustia da livre escolha dentre as possibilidades. 1845 – Os estágios sobre os caminhos da vida – nesta obra estão incluídos O Banquete (diálogo platônico), e Culpável e não culpável. 1846 – Post-Scriptum às Migalhas filosóficas. 1849 O Tratado de Desespero (reflexão sobre o pecado), traduzido também como: A Doença Mortal. Seu último livro, A Escola do Cristianismo, é uma crítica à igreja. O autor se posiciona contra um teólogo chamado Martensen, e contra o Bispo de Mynster. Em maio de 1855, funda um jornal: O Instante.
Todas estas obras são publicadas com pseudônimos como: Victor Eremita, Johannes de Silentio, Climacus e outros. Estes pseudônimos possivelmente são para se proteger de sua briga com o bispo da Igreja Luterana. Neste mesmo período Kierkegaard também publica mais de 24 discursos com seu próprio nome. Apesar de seus pseudônimos a obra de Kierkegaard se torna célebre, o fim de sua vida é bastante conturbada com polêmicas com os representantes da igreja oficial.
Em 02 de outubro de 1855 passa mal na rua e é levado ao hospital. Internado, rejeita tomar a comunhão das mãos de um padre, afirmando que os padres são apenas funcionários de uma instituição e não são testemunhas do cristianismo. Kierkegaard queria tomar a comunhão, mas esta não poderia ser das mãos de um clérigo, antes queria que fosse ministrada pelas mãos de um leigo. Kierkegaard tinha uma boa relação com Deus, mas não aceitava a igreja.
Emilio Boesem, amigo que o assistia no hospital, escreve por Kierkegaard, uma palavra de despedida dizendo como foi sua vida de solidão e seu destino. Em 11 de novembro de 1855, prematuramente, morre Kierkegaard com 42 anos. Depois de sua morte a igreja Luterana tenta apropriar-se de seu corpo (apesar de em toda sua vida ter negado religião oficial), porém os jovens dinamarqueses não permitiram.
III - O PENSAMENTO FILOSÓFICO
Todo o pensamento de Kierkegaard é desenvolvido a partir do seu íntimo. Uma escolha consciente do pensador por si próprio. Apesar disto, o filósofo experimenta os valores da tradição ou da “moda” filosófica de seu tempo, mas é, sobretudo em sua existência que Kierkegaard encontra elementos considerados por ele como importantes para o seu pensamento. Com uma vida conturbada e com grandes alternativas, o resultado de sua filosofia é uma novidade, muito mais de acordo com suas próprias experiências do que com outros sistemas anteriores há seu tempo. Das influências que recebe parte de um conceito amplamente utilizado por Sócrates, o conceito de ironia. Kierkegaard considera Sócrates como “precursor e patrono da filosofia da existência” (Mesnard, Pierre. Kierkegaard, Edições 70. Biblioteca Básica de Filosofia. p. 17).
A filosofia dos Estágios de Existência.Kierkegaard era um profundo conhecedor de obras clássicas. Entre as fontes que o influenciava estava: as belas-artes, a filosofia clássica e moderna, a teologia, etc. Pode-se perceber na obra de Kierkegaard um pensamento reflexivo bastante abrangente, fruto desta sua diversidade de fontes. Toda esta abrangência tem o objetivo de confrontar as idéias, os fatos, as experiências à luz do cristianismo que, para ele, é uma consciência moderna.
Seu pensamento baseia-se em sua cultura incomum e nos complexos sentimentais profundos. Através de si e de seus problemas quer encontrar uma explicação para a sua existência. Mas não bastava para Kierkegaard analisar o conteúdo da consciência para se encontrar aí uma filosofia da existência. Tem-se, também, que ter idéias. E entre as idéias, tem que se estabelecer uma dialética. E é através desta dialética que ele percebe os estágios da existência: estágio estético, estágio moral e estágio religioso. O Estágio Estético. Para Kierkegaard, este era o estágio básico na realidade humana. Segundo o autor, os valores estéticos eram originários do romantismo e influenciavam muitos de seus contemporâneos. A caracterização deste estágio, ao contrário do que pode parecer em um primeiro momento, é de difícil distinção, pois é marcado pela diversidade. Ao citar alguns personagens das obras filosóficas e clássicas como estéticos Kierkegaard demonstra esta diversidade, pois eles podem ser desde crianças audaciosas das fábulas, até sedutores insaciáveis como o clássico Dom Juan. Mas um ponto, diz Kierkegaard, será comum no caráter dos estéticos: “o desejo”. Este desejo poderia passar pela satisfação sentimental, material, entre outros, mas em última instância, o desejo erótico.
Kierkegaard irá desenvolver o estágio estético com autoridade da experiência. Pois no período que sucede a morte de seu pai ele se entregou a esta forma de vida, contrariando de certo modo, seu estilo de vida. Entretanto, a partir do momento que sente em seu coração a desesperança de uma vida feliz através da estética, tornar-se-á um forte opositor de tal princípio de vida e algumas de suas obras irão claramente opor-se ao estágio estético (o Banquete é um exemplo).
O tipo de vida estético não proporciona realização àquele que lhe dedica a vida. Kierkegaard percebeu que neste estágio de vida os objetivos não são claros e se perdem por não haver satisfação. É então que se pode perguntar: Quem é feliz realmente? Dos que buscam o prazer, o mais feliz não será aquele que não experimentou felicidade alguma?
O Estágio Moral ou Ético. Ao contrário da dificuldade na definição do estágio estético, o estágio ético ou moral é de fácil definição. Isto porque, em princípio, o estágio ético é marcado essencialmente, por uma vida coerente governada por normas morais. Entretanto, diferindo-se do estético, no estágio ético não se encontram personagens com facilidade na literatura. Em resposta a este vazio, Kierkegaard oferece-nos o original Wielhem em A Alternativa. O herói do estágio ético será “o herói da vida conjugal”. Wielhem defende na obra a sua própria causa: o casamento feliz.
Misturando na tese de Wielhem, a teoria do amor romântico com a teoria de um acordo econômico e social, Kierkegaard da forma ao amor cristão, um dom generoso entre duas pessoas que reconheceram em Deus, o responsável por esta união. A tese de Wielhem que defende o casamento confunde-se com um discurso de exaltação ao amor. O casamento será então, um meio pelo qual duas pessoas fazem uma opção tendo Deus como testemunha e são introduzidos na realidade da vida. E é aqui que se evidencia conscientemente a vida ética. Terá o homem que empenhar toda força para manter a vida conjugal.
A partir desta consciência de vida ética, começa a aparecer no pensamento de Kierkegaard sua traumática experiência amorosa e a dificuldade em entender e relacionar-se com o sexo feminino. Para ele, a manutenção da vida conjugal, característica essencial da ética, será dificultada ao homem pela presença feminina, que para o filósofo, tem enorme dificuldade de se situar em uma relação definida. Kierkegaard vai mais longe, para ele a mulher situa-se naturalmente no estágio estético, onde, aliás, ela é objeto de desejo em última instância. A plena revelação da mulher só será possível no estágio religioso.
O casamento torna-se então um grande risco necessário para a vida ética, por ser a única forma de se atingir tal estágio de vida. Porém, a derrocada do casamento trás consigo a derrocada de toda a moralidade. O homem então deve entender que o heroísmo moral da vida cotidiana será a única forma de desviar a fragilidade feminina dos caminhos de oscilação e perigo que poderão induzi-la à sua natureza estética e desta forma comprometer a relação conjugal. Assim sendo, no pensamento de Kierkegaard, só o heroísmo aliado a ajuda de Deus, pode salvar a vida conjugal e consequentemente, a forma de vida moral.
O Estágio Religioso. Mas para Kierkegaard, segundo a tese de Wielhem, o casamento não pode ser a única solução. Sendo assim, pode existir a solução excepcional, pois aquele que renuncia a vida conjugal para responder a uma vocação religiosa, atinge um estágio de existência superior à de um marido mais perfeito. Entra-se então nos domínios do estágio religioso. A religião sempre foi para Kierkegaard uma fonte de inspiração e um espaço de reflexão e existência. Desde a infância é conduzido pela família na prática religiosa. Mais tarde, parte para a especulação religiosa ao se iniciar em um curso de teologia, visando à carreira eclesiástica. A religiosidade pessoal do filósofo é composta por duas realidades: por um lado o cristianismo com seus dogmas e seus paradoxos. Por outro lado, a tensão psicológica com que ele e sua família recebem estes dogmas e paradoxos do cristianismo em meio aos problemas existenciais profundos e traumáticos no ambiente familiar: angústia, medo e tremor.
A influência da religião em sua vida ficará assente em sua obra. Desde o início, ele deixa claro que se trata de um autor religioso. Neste sentido, Tremor e Temor torna-se um bom exemplo para a introdução ao mundo religioso de Kierkegaard. Esta obra citada é escrita em um momento de algum otimismo por parte do autor. Seu objetivo é mostrar através do sacrifício de Abraão que o estágio ético não é absoluto, pelo contrário fica até ofuscado diante de exigências superiores do estágio religioso. O autor então argumenta que Abraão não hesitou em sacrificar Isaac e que este desprendimento foi exatamente o motivo pelo qual seu filho veio a ser restituído. Será que semelhante renuncia feita por Kierkegaard em relação à noiva no passado pudesse a trazer de volta então? A resposta a este questionamento só seria possível se Kierkegaard se elevasse ao plano da fé como o fez Abraão. Desta forma, percebe-se que o estágio religioso é marcado pelo subjetivismo.
Como apelo à subjetividade profunda, o estágio religioso pratica uma devoção ao Deus que não aparece e comunica-se através do silêncio que provem desta relação. Isto nos faz perceber que os dois primeiros estágios são mais populares do que o terceiro. Kierkegaard entendia que os estágios estéticos e éticos não podiam existir sem o estágio religioso. Em outras palavras, o religioso estava presente tanto no estético quanto no ético. O religioso é um estágio conseqüente, pois é a partir da desordem dos estágios inferiores que se tem a possibilidade de encontrar a realidade superior da vida religiosa.
Entretanto, apesar da vida religiosa ser conseqüência dos dois primeiros estágios, requer-se por ela uma decisão. Kierkegaard entende que teve que fazer uma escolha, muito clara, pela vida religiosa. Entre as várias vocações que estavam diante de si, ele escolheu a vida religiosa, que para o filósofo torna-se a forma de vida mais difícil, entre outras coisas, por ser marcada pela solidão e pelo olhar atento de Deus. Nesta sua escolha pela vida religiosa solitária, Kierkegaard foi conduzido a uma crise com os oficiais da Igreja Luterana (Igreja oficial da Dinamarca). O filósofo compreendeu que acontecia em seu tempo a descristianização do mundo. Sua luta solitária, contra pastores e bispos oficiais preocupados com suas carreiras eclesiásticas, aumentará o seu sofrimento e o fará alvo das chacotas populares, aumentando, a cada dia, a sua solidão.
A solidão no sofrimento torna-se o centro da meditação de Kierkegaard. A partir da solidão e do sofrimento o filósofo desenvolve o sentido da subjetividade e da existência que vem do seu interior. Na luta contra o luteranismo oficial, desenvolve um sistema religioso doloroso que se diferencia em muito da religião que se praticava. O hegelianismo, que outrora o influenciou, é agora alvo de duras críticas dirigidas por Kierkegaard. Ele não aceitava a aproximação da Igreja com o romantismo de Hegel. Kierkegaard aponta para o erro imbecil no âmbito religioso, segundo ele não havia qualquer compatibilidade entre o cristianismo como um momento histórico que se devia ultrapassar, conforme o pensamento dos romancistas. Não, o cristianismo não pode ser considerado apenas como um acontecimento histórico.
IV - CONCEITO DE DEUS
“O importante é entender –me a mim mesmo, é perceber o que Deus realmente quer que eu faça; o importante é achar uma verdade que é verdadeira para mim, achar a idéia em prol da qual posso viver e morrer” Journals p.44. In Filosofia e Fé Cristã, Colin Brown
Em 1848, Kierkegaard passou pela experiência de conversão e registrou em um de seus Jounals o seguinte testemunho: “A totalidade do meu ser está transformada... Mas a crença no perdão dos pecados significa crer que aqui no tempo o pecado é esquecido por Deus, que é realmente verdade que Deus o esquece.” Kierkegaard se opunha a Hegel e ridiculariza os argumentos abstratos da metafísica especulativa. Ele escreve sobre Hegel em 1850:
“Quantas vezes demonstrei que fundamentalmente Hegel torna os homens em pagãos, em raça de animais com o dom do raciocínio. No mundo animal, pois, "indivíduo” sempre é menos importante do que raça. Mas a peculiaridade da raça humana é: justamente porque o indivíduo é criado à imagem de Deus, o “indivíduo” está acima da raça. Isto pode ser entendido erroneamente e terrivelmente abusado, reconheço. Mas isso é o cristianismo. E é aí que a batalha deve ser travada.” Journals.
Para Kierkegaard a subjetividade isolada é má, assim como a objetividade de Hegel por si só, também é má. Para ele, a única salvação era a subjetividade. Deus era como uma subjetividade infinita e compulsora. Por se tratar o cristianismo de uma religião histórica e em decorrência das críticas desta realidade, Kierkegaard escreveu que os resultados dos fatos históricos para ele eram incertos, o importante era a escolha subjetiva. Crer em Deus era um salto de fé, um comprometimento com o absurdo. A pessoa faz uma escolha por aquele fato histórico porque este significa tanto para ela que até arrisca a vida por ele. “ Então vive; vive inteiramente cheio da idéia, e arrisca sua vida por ela; e sua vida é a prova de que crê”. Não precisa haver provas para a pessoa crer e viver esta fé. A fé é impossível se houver provas e certezas. Sem riscos não há fé, é uma impossibilidade. A fé e a razão são opostas mutuamente exclusivas.
O autor Colin Browm compara o conceito de Deus de Kierkegaard comum à estória do Mágico de Oz, ou seja, não é tanto a sua existência o que importa, mas o pensamento sobre sua existência. Nesta estória, o homem de palha, o homem de latão e o leão covarde mudam o curso de suas vidas porque crêem no Mágico de Oz. Porém, no final, este mágico é na verdade um homem comum. Do mesmo modo para Kierkegaard, o pensamento a respeito de Deus o impulsionava para reagir, de certa forma, mais do que o encontro com o próprio Deus.
Surge no conceito de Deus no pensamento de Kierkegaard, uma palavra chave: o amor. É por amor que Deus deve decidir-se eternamente a agir, mas como seu amor é a causa, seu amor deve também ser o fim. Deus quer restabelecer a igualdade entre Si e o homem (discípulo), assim com um rei que se apaixona por uma plebéia. Tal idéia per si é incongruente, mas o rei é o rei, acima de tudo. Segundo Kierkegaard, “Deus encontra sua alegria em vestir ao lírio com mais esplendor que Salomão” (Fragmentos Filosóficos, p. 59). O amor de Deus não somente ensina, mas também leva a um novo nascimento do discípulo, passando do não ser ao ser, pois “o fazer nascer pertence a Deus cujo amor é regenerador” (Fragmentos, p. 68).
Deus busca a unidade, de Si com o não ser do homem. Assim, “para obter a unidade, Deus deve se fazer igual ao seu discípulo”, e para isto toma a forma de servo. Deus sofre a fome, o deserto, tudo experimenta por amor ao discípulo. Kierkegaard afirma que só Deus pode salvar o indivíduo do desespero: “Deus pode a todo instante...” (Chaves, Odilon. Sofrimento e Fé em Kierkegaard, 1978. p. 36). Não seria também por isso que ele afirma que se deve “tremer” diante de Deus? “É impossível enganar a Deus, Ele é o onisciente, o onipotente” (Attack Upon Christendom, p. 255). E ainda, “Ele é o único que tem uma verdadeira concepção do infinito que Ele é” (Attack Upon Christendom, p. 255).
Por outro lado, Kierkegaard menciona ser fácil o enganar a Deus. Não que Deus não notaria a “presença” do homem tentando agradá-lo. Deus, na verdade, cria uma situação na qual o homem, se ele quiser, pode “enganar” a Deus. Como isto é possível? Deus permite que o homem sofra para que ele perceba que é um abandonado de Deus, e que tenta enganá-lo, e, se Deus, na opinião do homem não está atento para este fato, o homem enganou a Deus (Attack Upon Christendom, p.256). Por isso diz Kierkegaard: “Tremei!”
No tocante à justiça de Deus, Kierkegaard diz que cada criminoso, cada pecador, que pode ser punido neste mundo, pode também ser salvo para a eternidade. Na eternidade, o que será lembrado? O sofrer, aqui, pela verdade. Todas as transações neste mundo têm como filtro o intelectualismo e a espiritualidade, sendo Deus nos Céus o parceiro.
BIBLIOGRAFIA
CANCLINI, Arnoldo. Fragmentos Filosóficos. Buenos Aires, Imprensa Metodista, 1956. CHAVES, Odilon M. Sofrimento e Fé em Kierkegaard. Monografia, S.B. do Campo, 1978 LOWRIE, Walter. Kierkegaard’s Attack Upon “Christendom”. Boston, The Beacon Press, 1957 LOWRIE, Walter. Kierkegaard, Christian Discourses. New York, Oxford, 1961. SIMÕES, Carlos O. P. Ética e Fé em Kierkegaard. Monografia, S.B. do Campo, 1958. VERGEZ, André. História dos filósofos ilustrada pelos textos. Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1976. MESNARD, Pierre. Kierkegaard. Edições 70, Coleção Biblioteca Básica de Filosofia. KIERKEGAARD. Coleção Os Pensadores...
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Bom vou aproveitar esse espaço para escrever minhas coisas e também para escrever coisas que me marcaram profundamente, espero que eu não pareça prepotente nas minhas intençoes, nem tão pouco pretencioso com meus escritos que estarei colocando assim que possivel, já que vou ter que procurar em arquivos,em cadernos e manuscritos no geral,catalogar,separar oque agrada e não e isso da um certo trabalho.Sejam bem vindos ao mundo sombrio do §€ÑHØ®_Ðŧ_†®€vŧ™ vulgo Maurilio Alberto,também conhecido como
¶MÖßi£Ë e também como BIZY, então bjs e divirtam-se. delíro sem ter febrersrs...espero que me esntendam, bom claro que isso só vai estar disponivel no decorrer do o ghghfghgh...rsrs.
rsrs ou Maurilio Alberto.
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
Clarice Lispector PARA OS DEUSES Para os deuses as coisas são mais coisas. Não mais longe eles vêem, mas mais claro Na certa Natureza E a contornada vida... Não no vago que mal vêem Orla misteriosamente os seres, Mas nos detalhes claros Estão seus olhos. A Natureza é só uma superfície. Na sua superfície ela é profunda E tudo contém muito Se os olhos bem olharem. Aprende, pois, tu, das cristãs angústias, Ó traidor à multíplice presença
Dos deuses, a não teres Véus nos olhos nem na alma. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
“My Funny Valentine, Sweet Comic Valentine, You Make Me Smile With My Heart.
You’re Looks Are Laughable, Un-photographable, Yet You’re My Favorite Work Of Art. Is Your Figure Less Than Greek, Is Your Mouth A Little Weak, When You Open It To Speak, Are You Smart? Don’t Change Your Hair For Me, Not If You Care For Me, Stay Little Valentine Stay… Each Day Is Valentine’s Day”. Chet Baker E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e nem promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se um certo tempo para construir confiança e apenas segundos para destruía-la, e quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita pratica. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente serperdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe... Depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!" Willian Sheakspeare -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
estão todos comigo nas memórias de glórias passadas as pressas.Somos presas de uma represa de espantos em espartanos modos,sons e sangue que nos movem rumo ao incerto ...tais modos ...e eis que surge em mim a esperança morta em rotos momentos em tortuosos caminhos ...eu um ser em constante movimento me alimento de vagos momentos e assim sem intenção alguma apenas penso sem... 19:34 - 21/12/2005 Apagar Maurilio Alberto ...sentido ...solto aqui nestas linhas em branco a minha inefavel marca tal qual longuinquas mágoas que na memória se escondem e se apagam...bjs do seu amigo Maurilio e lembre-se'Verba volant,scripta manent.'(As palavras voam, os escritos permanecem ,bjs do amigo Maurilio Alberto.rsrsrs fiquei com prequisa de copiar e colei rsrsrs ficou meio tosco,esse é meu da época da clinica,meio depre né,blz depois eu coloco o resto.Por hoje fico aqui e me despeço com sentimentos da mais profunda grandeça,Maurilio Alberto... ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- |
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